Torcida angolana pede Felipão, mas dirigentes negam contato

Por Hortêncio Sebastião, da Agência Lusa

Luanda, 27 abr (Lusa) - A possibilidade de Luiz Felipe Scolari se tornar o treinador da seleção de Angola anima os torcedores daquele país africano, que vêem no brasileiro uma oportunidade para relançar a sua equipe.

Nos últimos dias multiplicaram-se as notícias com a possibilidade do ex-técnico da seleção de Portugal ser o novo responsável pela equipe angolana, que, desde que deixou de ter Oliveira Gonçalves ao seu comando, só somou maus resultados com Mabi de Almeida, técnico entretanto dispensado.

Os torcedores angolanos voltaram a virar-se para a sua seleção desde que surgiram as primeiras notícias com a possibilidade de Scolari orientar a equipe já durante a Copa das Nações Africanas (CAN), que o país organiza em janeiro de 2010.

A Agência Lusa contatou vários torcedores para determinar o sentimento para a eventualidade de Scolari assumir o comando de Angola, tendo a maioria se revelado favorável dado o currículo do campeão do Mundo pelo Brasil em 2002 e vice-campeão europeu por Portugal.

Sem confirmação

Apesar de os torcedores se mostrarem favoráveis à escolha de Scolari, o secretário geral da Federação Angolana de Futebol (FAF), Augusto Silva, não admitiu as negociações e frisou que só no final desta semana poderá haver novidades, até porque a seleção está sem condução técnica e a CAN aproxima-se rapidamente.

"Scolari seria um benefício para impulsionar o futebol nacional, já que pretendemos não só participar, mas também atingir os primeiros lugares na competição e, porque não, vencer o CAN", disse Inocêncio Pinheiro, torcedor angolano.

Ainda segundo ele, Angola nada perderia se fizesse uma aposta como essa, até porque, apontou, "é uma urgência ter bons resultados" na organização caseira da CAN.

Já Manuel Tchikanga é de opinião que se deve investir também em treinadores com "qualidades reconhecidas" internacionalmente, para fazer com que o futebol angolano cresça e se imponha no contexto das nações africanas e do mundo.

"Conseguimos uma brilhante exibição no último campeonato do Mundo (em 2006) e, para que Angola possa recuperar aquela forma desportiva, isso só pode ser possível com um treinador competente como Scolari", salientou Manuel Tchikanga.

Por sua vez, Afonso Quinda, outro fervoroso torcedor dos "Palancas Negras", diz que a contratação por Angola de um treinador do calibre de Scolari envolverá custos enormes, mas que será compensada com os resultados que "seguramente serão positivos".

"Felipe Scolari já deu provas de que é um homem cujas qualidades são inquestionáveis e contratá-lo - tenho as minhas dúvidas que ele aceite - seria algo moralizante", disse defendeu.

O torcedor entende ainda que uma contratação destas seria "demolidora para as equipes que Angola poderá defrontar", por inicialmente se mostrarem "já derrotadas antes dos jogos, ao aperceberem-se que quem está à frente do conjunto angolano é Scolari".

Os vários torcedores contatados deixaram ainda a ideia de que, a "certamente cara" contratação de Scolari, seria um "desperdício", porque Angola "não tem, neste momento, matéria-prima" para fazer uma grande equipe vencedora.

A falta de tempo, cerca de sete meses para a CAN, e o intervalo entre a contratação e o trabalho efetivo, são outros argumentos usados para questionar a contratação, visto que o ex-campeão do Mundo precisaria de mais tempo para moldar a equipe.

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