Clube português inicia venda de estádio para se manter vivo

Faro, 5 mai (Lusa) - A venda do Estádio de São Luís, em Faro, é a luz ao fundo do túnel para aliviar o passivo do Farense, mais antigo e tradicional clube do Algarve, mas para relançar a entidade esportiva é preciso garantir rentabilidade financeira nos próximos anos.

A abertura de propostas para a compra do estádio está marcada para esta terça-feira, sendo que o provável destino dos terrenos passa pela construção de uma zona habitacional e comercial.

Em Olhão, a construção de um centro comercial - inaugurado no final de abril -, no local do antigo Estádio Padinha, permitirá ao Olhanense obter uma receita fixa mensal de cerca de 40 mil euros.

Com um passivo superior a 10 milhões de euros, o Farense poderá lucrar com a instalação de uma zona comercial e parque de estacionamento na zona do estádio, obtendo parte das receitas geradas.

"Os novos estádios construídos agora são todos aproveitados pelos clubes, que têm receitas todos os meses e aqui no Estádio de São Luís podia fazer-se o mesmo", disse à Agência Lusa o ex-jogador do clube Hassan Nader.

Atualmente com 44 anos, o marroquino, que também passou pelo Benfica, jogou no Farense nos tempos áureos do clube, atualmente na terceira divisão, mas que durante quase uma década militou na elite do futebol luso.

No espaço de dez anos, o clube viajou da glória - a presença na Copa da Uefa (1995/96), onde foi eliminado pelo Lyon (França) - à decadência, com a descida aos distritais (2005/06), por decisão dos responsáveis.

"O mais importante agora é pôr as dívidas a zero e ainda sobrar algum para tentar pôr o Farense na elite outra vez", observa Hassan, que apesar de triste com a venda do estádio, encara o negócio como a única solução.

Perspectiva idêntica tem João Galrito, líder dos "South Side Boys", craque do Farense, que comemorou recentemente quinze anos e tem acompanhado o clube mesmo nos momentos mais difíceis.

"É um mal necessário [a venda do estádio] e a única solução possível", diz, acrescentando que apesar do seu desejo ser a manutenção do estádio, o mais provável é que o local dê lugar a "mais um pedaço de cimento" na cidade.

Apesar da eventual demolição do estádio, ficarão de pé o pavilhão esportivo do Farense e o edifício sede, o que, de acordo com João Galrito, é importante para ajudar a manter a presença do clube dentro da cidade.

Com a passagem dos jogos para o Estádio Algarve, um estádio "sem alma", o líder dos "South Side" acha difícil recriar o "inferno" de São Luís, como era conhecido. Mas acredita que os torcedores acabarão irão se acostumar.

A abertura de propostas para a compra do terreno do Estádio de São Luís está marcada para esta terça, depois do primeiro concurso ter falhado e a área comercial prevista inicialmente no projeto ter praticamente quadruplicado.

Após a falha da primeira tentativa de vender o terreno do estádio, em setembro passado, a Comissão de Venda avançou com um novo anúncio com preço-base de licitação de 15 milhões de euros.

Em causa está uma área de cerca de 28 mil metros quadrados para habitação e cerca de 20 mil para comércio, serviços e lazer.

Além da área comercial prevista e das 216 moradias populares, há ainda uma área destinada a estacionamento subterrâneo, com capacidade para mais de 750 automóveis.

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