Visita de Lula à China assinala 35 anos de elo diplomático

Por Carla Mendes, da Agência Lusa

Brasília, 17 mai (Lusa) - A viagem do presidente Lula a Pequim, de 18 a 20 próximos, ocorre no âmbito dos 35 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e a República Popular da China.

Em 1974, o Governo do então presidente Ernesto Geisel, penúltimo do regime militar brasileiro, reconheceu diplomaticamente a China, o que levou ao automático rompimento das relações diplomáticas com Taiwan.

O Brasil alinhava-se, assim, com a grande política mundial, já que em 1971 a China passou a integrar o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas, no lugar de Taiwan.

Para o Brasil, atar relações com a China, que vivia na época os últimos dias da era Mao Tse-Tung, foi uma aposta acertada no futuro.

Em 1978, o desenvolvimento econômico da China foi colocado como prioridade e o país iniciou seu programa de reformas que mudou, num quarto de século, a face do país asiático, com uma industrialização intensa e um crescimento na faixa de 10% ao ano.

Em 1984, pela primeira vez, um chefe de Estado brasileiro, o então presidente General João Figueiredo, visitou a China.

Impulso

A partir de 1985, após o retorno à democracia no Brasil e à medida que se aprofundava a política de reforma e abertura ao exterior da China, o relacionamento bilateral teve um impulso.

Mas somente na década de 90 houve, de fato, um fortalecimento das relações econômicas entre os dois países, que têm hoje, segundo o Itamaraty, sede do Ministério brasileiro das Relações Exteriores, mais de 50 acordos bilaterais assinados.

Em 1993, Brasil e China estabeleceram uma parceria estratégica, cujo primeiro fruto foi o programa para a construção, lançamento e operação dos satélites CBERS (sigla, em inglês, de Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), o maior projeto de cooperação científica entre países em desenvolvimento.

O programa, que já lançou três satélites, entre 1999 e 2007, permitiu aos dois países produzir dados e imagens dos seus territórios a custo reduzido.

Brasil e China, que fornecem também as imagens dos seus satélites à África, preparam-se para lançar mais dois satélites, o primeiro dos quais em 2011.

Comércio

O comércio bilateral também cresceu a um ritmo acelerado, mais de 550% nos últimos cinco anos.

Apesar da crise global atual, as relações comerciais sino-brasileiras mantiveram-se sólidas e a China passou a ser, em abril passado, o principal parceiro do Brasil, quebrando a liderança de 80 anos dos Estados Unidos.

As perspectivas são tão boas que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) vai aproveitar a visita de Lula da Silva para inaugurar segunda-feira um Centro de Negócios Brasileiros na China, o primeiro na Ásia.

"A China é um país estratégico e um mercado prioritário para o Brasil", assinalou o presidente da Apex, Alessandro Teixeira.

O bom entendimento amplia-se a convergências de interesses globais entre as duas potências emergentes, que defendem a reforma do sistema de governação global, com a abertura de instituições multilaterais, e a conclusão da Rodada de Doha.

ONU

A China também apoia a reivindicação brasileira de ocupar um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Atualmente, Brasil e China integram o chamado BRIC, grupo do qual também fazem parte outros dois emergentes - Rússia e Índia -, assim como o G5, que inclui também o México.

Apesar das excelentes relações, a China deverá exigir a Lula da Silva o cumprimento da promessa brasileira de reconhecer o país asiático como economia de mercado, o que desagradou muito os empresários brasileiros.

Esta declaração foi feita por Lula há quase cinco anos, mas não saiu do papel.

O Itamaraty concorda que a questão precisa ser resolvida e defende um caminho intermediário, com o reconhecimento gradual dos setores chineses, que já funcionam segundo as normas de mercado.

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