Continente vive recuo democrático, lamenta União Africana

Luanda, 22 mai (Lusa) - O presidente da Comissão Executiva da União Africana, Jean Ping, disse nesta sexta-feira em Luanda que o continente atravessa "situações preocupantes de recuo" democrático, mas frisou que "não faltam também bons exemplos".

O gabonês Jean Ping, que se encontra em Luanda no âmbito do programa de comemorações do Dia da África, 25 de maio, organizadas por Luanda, depois de uma audiência com o Presidente José Eduardo dos Santos, nomeou as eleições no Gana e em Angola como "situações exemplares" para o continente.

Mas, lembrando um ditado popular, disse: "O trem que se atrasa é uma má notícia, o que chega a hora não é notícia".

Jean Ping, em declarações à Agência Lusa, explicou que discutiu com o Presidente angolano as questões que mais preocupam o continente, destacando os casos da Guiné-Bissau, os golpes de Estado da Mauritânia e de Madagáscar, e os complexos processos eleitorais do Quênia e do Zimbábue.

O presidente da Comissão Executiva da UA, que chegou hoje a Luanda e seguiu de imediato para o Palácio Presidencial da Cidade Alta, começou por lembrar que a sua eleição se deveu muito ao apoio do Governo de Luanda.

"Não podia deixar de aproveitar esta ocasião para agradecer ao Presidente José Eduardo dos Santos", disse.

Questionado pelos jornalistas sobre o que contribuição o Presidente José Eduardo dos Santos pode dar para a resolução das questões africanas que ocupam atualmente a agenda da União Africana, Ping foi taxativo: "Uma contribuição essencial e fundamental".

"Conhecemos muito bem o papel importante de Angola na sub-região da África Austral, no âmbito da SADC e também no contexto africano continental", disse, adiantando "não ser preciso sublinhar esse papel e a contribuição do Presidente dos Santos e de Angola neste domínio".

"Esperamos de Angola, e testemunhei isso mesmo ao Presidente da República, que continue a dar esse apoio, esse contributo essencial para a procura de soluções para os mais diversos problemas africanos, nomeadamente os que concernem à paz e à segurança", notou.

Mas também no domínio do desenvolvimento, "nomeadamente neste momento desfavorável e de crise mundial", segundo Jean Ping, "Angola tem um papel importante a desempenhar" .

"Angola continua a ter um crescimento econômico enorme, a dois dígitos, que é uma exceção em África, que confirma a regra de que o desenvolvimento e o crescimento no continente atravessam, cada vez mais, dificuldades", disse Ping, ignorando os últimos relatórios internacionais, sobretudo os do Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e da OCDE que apontam para um reduzido ou mesmo negativo crescimento da economia angolana para este ano.

Jean Ping lembrou que nos últimos anos o continente africano teve um crescimento próspero de mais de 5%, mas lembrou a queda abrupta neste crescimento com a crise mundial, "ao mesmo tempo que Angola manteve o seu crescimento a dois dígitos, crendo mesmo - disse - de 15%".

O crescimento econômico angolano é, para Jean Ping, um instrumento que "vai ajudar", pelo menos, na sub-região, "os restantes países a desenvolverem-se favoravelmente".

Jean Ping vai estar no encerramento, domingo, da sexta Conferência do Comitê dos Serviços de Inteligência e Segurança (CISA) de África e ainda no seminário sobre a Paz e Segurança em África" que vai ocorrer segunda-feira, no qual é aguardada a presença do Presidente da UA e da Líbia, Muammar Kadhafi.

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