África do Sul já comemora resultados da Copa do Mundo

Por António Pina, Agência Lusa

Joanesburgo, 13 jun (Lusa) - Quando faltavam exatamente 365 dias para o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2010, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, foi festejar no estádio de Green Point a contribuição dos operários para o sucesso do evento.

O estádio ainda em construção da Cidade do Cabo exemplifica bem a capacidade de concretização dos sul-africanos: iniciadas com muitos meses de atraso, em virtude de vários processos judiciais de um grupo de moradores que não queria o estádio em Green Point, as obras deverão estar prontas nos prazos definidos pela Fifa graças ao esforço dos responsáveis, empreiteiros e trabalhadores.

Apesar dos congestionamentos diários nas estradas em obras, dos frequentes acidentes e dos elevados níveis de estresse impostos pelo alargamento de estradas, construção de pontes e viadutos e instalação de condutas de todo o tipo em todas as esquinas das cidades do país, os sul-africanos encolhem os ombros, dando mais importância aos frutos que vão colher de todo o exercício do que propriamente às dificuldades atuais de circulação.

A verdade é que o primeiro Mundial de futebol em solo africano mexe com o orgulho de todos, brancos e negros, na nação sul-africana.

Em segundo lugar, num plano mais prático, o evento esportivo foi uma oportunidade que os sul-africanos agarraram com ambas as mãos para modernizar o país de uma ponta à outra, desde as redes viárias às telecomunicações, passando pela construção de uma sofisticada linha ferroviária de alta velocidade a atravessar o coração da sua maior metrópole, Joanesburgo, ligando-a à capital Pretória.

O "Gautrain", que circulará no subsolo de Joanesburgo durante parte do percurso, bem como à superfície e até mesmo em viadutos e plataformas elevadas noutros pontos, é uma das grandes obras de bandeira da Copa do Mundo, mais importante talvez para os cidadãos do que os estádios de linhas arrojadas que se encherão de torcedores em junho do próximo ano.

Este projeto, associado à planejada rede de ônibus que funcionará a partir das suas estações, vai dotar a região mais industrializada do país (a província de Gauteng) de um sistema de transportes públicos integrados, que permitirá descongestionar o sistema rodoviário, sob enorme pressão nos últimos 15 anos.

Estrutura

A precisamente um ano da Copa do Mundo e com as seleções do Brasil, Itália e Espanha já no seu território para a disputa da Copa das Confederações, os organizadores e o público começam a sentir que os prazos de 2010 serão cumpridos, apesar do caos que ainda se vive nas estradas nacionais.

Dos dez estádios onde acontecerá o Mundial, quatro serão já utilizados na Copa das Confederações: Ellis Park, em Joanesburgo, Loftus Versfeld, em Pretória, Royal Bafokeng, em Rustenburg e Bloemfontein.

Um quinto, Nelson Mandela Bay, na província do Cabo Oriental, foi dado como pronto na semana passada. Este deveria ter sido utilizado também na Copa das Confederações, mas, como a sua construção se atrasou, foi retirado da competição há uns meses por precaução.

Os restantes, afirma o Comitê Organizador Local (COL), estão dentro dos prazos e até meados de dezembro ficarão concluídos.

Dois estádios destacam-se quer pelas dimensões quer pela ousadia. O Moses Mabhida, em Durban, por ter um arco monumental, visível a quilômetros de distância, sobre o qual circula mesmo uma espécie de teleférico, onde os visitantes podem ter uma vista panorâmica da cidade e do Oceano Índico 100 metros acima da cobertura do recinto, que tem capacidade para 70 mil pessoas.

Por seu turno, o Soccer City, às portas de Joanesburgo, onde serão disputados o jogo de abertura e a final em 2010, é envolto por uma concha colorida e pode receber 94.700 espectadores.

A Copa do Mundo foi para a África do Sul "uma bofetada na crise", criando centenas de milhares de empregos, modernizando as infraestruturas e dotando a nação de instalações esportivas de nível internacional. Este é um triunfo garantido.

Agora, os dirigentes e a classe política insistem que pretendem colocar a cereja no topo do bolo, organizando a melhor Copa da história. Olhando para o passado recente da África do Sul, este é mais um milagre bem possível de se concretizar.

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