Queiroz leva seleção lusa da euforia à incerteza em um ano

Lisboa, 15 jul (Lusa) - O regresso do treinador Carlos Queiroz à seleção portuguesa mereceu elogios e o amplo consenso no país, mas um ano de resultados sofríveis transformou a euforia num mar de dúvidas quanto ao futuro.

A "ditadura" dos resultados - mais do que das exibições, que, ainda assim, também não têm convencido - coloca Queiroz em situação fragilizada, como frágil são as perspectivas de classificação de Portugal para a Copa-2010, na África do Sul, o que tem causando um menor interesse e euforia nos torcedores lusos em relação à "era" Scolari.

Cumpridas seis rodadas, Portugal, com nove pontos, está a distantes sete da líder Dinamarca (16) e a quatro da surpreendente Hungria (13), podendo ainda ser apanhado pela Suécia (seis), que tem um jogo a menos.

Mesmo ganhando as quatro "finais" que tem para disputar, o primeiro lugar parece já uma mera ilusão e mesmo o segundo posto (que poderá dar acesso ao play-off) está difícil de obter.

Depois de ter atingido a final da Euro-2004 e as semifinais da Copa-2006, os portugueses habituaram-se a brilhar nas grandes competições internacionais, mas a atual equipe das "quinas", em processo de renovação, está longe de cativar e convencer.

Herança pesada

A herança deixada pelo treinador brasileiro Luiz Felipe Scolari é pesada - resultados de destaque e uma equipe muito motivada - e o corte natural (até face às diferentes personalidades) com o estilo do brasileiro não tem corrido da melhor forma.

Queiroz abandonou o ambicioso projeto do Manchester United para remodelar a seleção e dar-lhe amplitude - e mais opções em campo - para poder lutar de forma consistente por um inédito título europeu ou mundial, mas, por diversos motivos, as coisas não dão certo.

A falta de sorte também tem perseguido a seleção, com lesões sucessivas em jogadores importantes, o que tem impedido Carlos Queiroz de criar um sólido time base, já que tem sido forçado a sucessivas alterações e experiências que têm prejudicado a solidez do modelo de jogo luso, que raramente proporcionou bons momentos de futebol.

Os números dizem que Portugal ainda não ganhou a equipes do seu "tamanho", mas essa tendência foi já herdada dos últimos tempos de Luiz Felipe Scolari.

A personalidade de Carlos Queiroz é oposta à de Scolari, mais efusivo e contagiante, e o futebol da equipe nacional tem refletido isso dentro de campo.

Dando seguimento à sua fama de pensador do futebol, Queiroz (bicampeão do mundo júnior) está preparando o futuro - pelo menos sobram os casos de jogadores estreando pela seleção -, mas agora o faz sem tempo nem espaço de manobra para cometer mais qualquer deslize.

O desempenho na visita à Dinamarca (5 de setembro), nos dois desafios com a Hungria (9 de setembro, fora, e em 10 de outubro, em casa) e na recepção a Malta (14 de outubro) decidirão se Queiroz terá ou não um lugar de ouro na história do futebol português.

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