Com Deco e Pepe, Liedson chegaria à seleção para 'resolver'

Porto, 29 jul (Lusa) - A ausência de gols - e vitórias - da seleção portuguesa estará na base da urgente naturalização do brasileiro Liedson, assim como quando Deco surgiu de "quinas" ao peito, após a queda de rendimento de Rui Costa.

A seleção portuguesa, em grandes dificuldades para atingir a classificação para a Copa-2010, na África do Sul, depois de cinco presenças consecutivas em grandes competições, marcou apenas oito gols nas seis partidas realizadas, pouco, tendo em conta que quatro deles foram em Malta e dois na Albânia.

Três empates consecutivos sem gols deixaram os comandados de Queiroz praticamente fora do Mundial africano e abriram feridas no ataque português: Nuno Gomes parece ser opção de recurso, Hugo Almeida já marcou dois gols mas não conquistou o lugar e Postiga também tem estado fora das opções.

Queiroz tentou já Orlando Sá, Edinho, Danny e até mesmo Cristiano Ronaldo na frente do ataque, mas os resultados são claramente insatisfatórios para as ambições portuguesas.

Pauleta, o maior artilheiro da história da seleção lusa (47 gols em 88 jogos) despediu-se da equipe nacional no final da Copa-2006, na Alemanha, e, logo aí, começou o pairar o "fantasma" de Liedson.

O atacante brasileiro, que recentemente enviou uma carta à Federação Portuguesa de Futebol disponibilizando-se para jogar por Portugal foi já elogiado por Carlos Queiroz, que considerou o jogador do Sporting "especial em termos de eficiência na marcação de gols".

"Seria um absurdo não pensar na sua chamada", disse Queiroz, em 24 de janeiro.

É, por isso, quase uma certeza a chamada do brasileiro, num momento em que Portugal decide de vez a classificação: em setembro, a seleção joga na Dinamarca e na Hungria, em dois jogos nos quais os gols de Liedson, podem ou não resolver.

A ausência de atacantes é, aliás, uma quase tragédia no futebol luso: nas últimas 20 temporadas, apenas três portugueses se sagraram o artilheiro do campeonato.

Rui Águas, na já longínqua temporada de 1989/90, Cadete (92/93) e Domingos (95/96).

Assim, poderá surgir Liedson, que até foi artilheiro do Português nas temporadas 2004/05 e 06/07, como a salvação para o ataque.

O mesmo ocorreu em março de 2003, quando Rui Costa começava a desaparecer como "maestro" da seleção portuguesa: na época, o brasileiro Luiz Felipe Scolari considerou ser necessário novo gestor no meio-campo de Portugal e apareceu então Deco.

A discussão ampliou-se no país e até mesmo dentro da seleção apareceram vozes discordantes, como foi o caso de Luís Figo e até João Vieira Pinto, que ainda mantém como máxima a defesa do jogador português.

Deco, hoje no Chelsea, mas na época no Porto, foi ganhando espaço dentro da equipe de Scolari e tirou o lugar a Rui Costa durante a Euro-2004, ganhando em definitivo a efetividade no time titular na Copa-2006 e, depois, no Europeu da Áustria e Suíça.

Outro caso semelhante e que também demonstra a carência de Portugal em vários setores importantes na construção de uma equipe, aconteceu com a chamada do também brasileiro Pepe.

Depois da Copa-2006, e com Jorge Andrade já em queda e também depois da saída dos "monstros" Fernando Couto ou Jorge Costa, Scolari entendeu, de novo, optar por "nacionalizar" um compatriota.

Havia Ricardo Carvalho, Fernando Meira - que se mostrou inatacável na Alemanha, Bruno Alves ou até Marco Caneira, mas o técnico brasileiro, "iludido" pela qualidade do atual jogador do Real Madrid, optou por Pepe, que pegou na oportunidade e agarrou lugar no time.

Liedson, que poderá ser o sexto jogador naturalizado a atuar na seleção portuguesa, sucede a Pepe, Deco e ainda a Lúcio Soares, nascido no Brasil, David Júlio, oriundo da África do Sul (jogaram na década de 60) e Celso Matos, também de terras de "Vera Cruz" (década de 70).

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