Sindicato luso de jogadores repudia naturalização de Liédson

Lisboa, 30 jul (Lusa) - O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) manifestou nesta quinta-feira uma "posição de repúdio" sobre o processo de naturalização do brasileiro Liédson e anunciou que pedirá uma reunião com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol e o treinador da seleção lusa.

O presidente do SJPF, Joaquim Evangelista, disse que "o atleta português está em extinção" e ressaltou que Gilberto Madail, líder federativo, e Carlos Queiroz, técnico da seleção, devem refletir sobre "o perigo que representa para o futuro" a naturalização do atacante do Sporting.

O dirigente sindical falava durante a apresentação do estudo sobre utilização de jogadores estrangeiros na temporada de 2008/09, realizada no Arquivo da prefeitura de Lisboa.

Evangelista afirmou que não tem nada "contra o jogador estrangeiro", mas destacou a preocupação pela tendência de desvalorização do atleta português, que tem como "consequências a descaracterização dos clubes e a perda da identidade das seleções nacionais".

Situação

Além disso, citou ainda que "o momento é de responsabilidade", mas não se pode "permitir que, a troco de resultados imediatos, se hipoteque o futuro do futebol português" e disse ser necessário também levar o assunto a Luís Figo e a Carlos Godinho, diretor esportivo da FPF.

"A pré-temporada revela que a tendência de aposta maciça de jogadores estrangeiros é para se agravar. Há cada vez menos atletas portugueses que jogarão futebol", por não terem "possibilidade de progredir na sua carreira", declarou.

O dirigente lembrou o projeto Casa das Transferências, um órgão que garantia "transparência" e que era uma proposta do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, e defendeu "uma política de racionalidade e equilíbrio na defesa do jogador português".

"Somos confrontados com o desemprego e, consequentemente, com a emigração do jogador português para países onde os problemas são ainda maiores. Temos de inverter esta tendência e dar oportunidade ao jogador português", afirmou.

Pesquisa

O sindicalista citou também para os dados do estudo do SJPF e a análise do Observatório Internacional do Jogador, que esclarecem dúvidas sobre a utilização de profissionais estrangeiros em detrimento de portugueses e motivam "o grito de alerta para a defesa permanente do jogador português".

O estudo do SJPF revela que 123 estrangeiros (55%) foram utilizados no Campeonato Português na temporada passada, enquanto o número de atletas naturais de Portugal foi de 100 (45%).

Quanto aos valores médios por faixa etária, Evangelista denunciou a fraca aposta em jogadores com menos de 23 anos (67 jogadores, a que corresponde 30%), constatando que quase metade dos atletas (102, correspondentes a 46%) pertenceram à faixa dos 24 aos 28 anos.

O Rio Ave foi o clube com maior prevalência de jogadores portugueses, enquanto no oposto surge o Nacional da Madeira, com clara presença de estrangeiros ao longo do campeonato.

Na análise a 30 ligas europeias realizada pelo Observatório Internacional do Jogador, em parceria com o Centro Internacional de Estudo do Desporto, Portugal é o segundo país da Europa com mais jogadores estrangeiros utilizados, com 53,7%.

A tabela é liderada pela Inglaterra, com 59,1%. Bélgica, Alemanha e Grécia ficam em 51% e a Sérvia é o país que apresenta o valor mais baixo (14,9%).

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