Felipão alfineta Queiroz e não descarta retorno a Portugal

Da Lusa Em Lisboa (POR)

O técnico Luiz Felipe Scolari afirmou nesta terça-feira que a seleção portuguesa de futebol atingiu "um nível muito elevado" sob seu comando, entre 2004 e 2006, e aconselhou a equipe a ter "paciência" para que possa atingir "os mesmos patamares".

Em Lisboa, onde participa da campanha portuguesa de proteção e prevenção à gripe sazonal e às infecções respiratórias, Felipão analisou as chances da seleção para a Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul.

Scolari confia na classificação da equipe, mas admite que isso "depende de algumas situações", além das vitórias nos próximos confrontos, com Hungria e Malta.

Menos positivas foram as palavras do técnico brasileiro quando perguntado sobre a analogia usada pelo atual treinador, Carloz Queiroz, em fevereiro, quando falou em uma vaca na qual o leite "secou", para justificar as modestas apresentações da equipe.

"Não sei que tipo de leite foi tirado da vaca e que a vaca parou de dar. Foram lançados 200 jogadores jovens e, desses 200, provavelmente 190 eram do meu tempo, jogavam comigo, por isso não sei", disse Felipão à Agência Lusa.

"Quando a seleção não se qualificou (para a segunda fase) no Mundial de 2002, aquela vaca tinha parado de dar leite? Não. Deu leite depois, em 2004, 2005 e 2006", defendeu.

O técnico encontra outra justificativa e fala em ciclos e personalidades diferentes para explicar a queda de produção da seleção portuguesa de futebol.

"Existem ciclos em que há alguns jogadores proeminentes, com qualidade e com mais personalidade, do que em outros ciclos. Isso é normal", disse.

Scolari afirmou ainda que é preciso analisar "as características dos novos jogadores", pois "são jogadores diferentes e a exigência, agora, é outra".

O técnico assumiu o comando da seleção portuguesa em 2003, após comandar o Brasil na conquista do Penta na Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão.

À frente da equipe portuguesa, o brasileiro foi vice-campeão da Eurocopa 2004, disputada em Portugal e na qual perdeu o título para a Grécia.

Além disso, levou a seleção portuguesa até as semifinais da Copa de 2006 - que os portugueses não alcançavam desde o Mundial de 1966, na Inglaterra - e às quartas-de-final da Eurocopa 2008, disputada na Áustria e na Suíça.

Após a Euro-2008, Felipão deixou a seleção portuguesa para treinar o clube inglês Chelsea, onde ficou até 9 de fevereiro de 2009, antes de ser contratado pelo Bunyodkor, do Uzbequistão.

Scolari negou que a ida ao time uzbeque tenha sido um "passo atrás" na carreira.

"Pode ser que para alguns seja assim. Tentei explicar os motivos que me levaram ao Uzbequistão. Não fui contratado apenas como um técnico de futebol", disse.

Além de negar que o cargo esteja em risco, garantindo mesmo ter sido incumbido pelo presidente para travar contatos com empresas portuguesas, o técnico brasileiro afirmou que o Bunyodkor "preencheu uma lacuna interessante" em sua experiência como "homem do mundo do futebol".

"Não fui contratado apenas como um técnico de futebol. Fui contratado para dar um pouco do meu 'know-how' e para mostrar como se monta uma equipe de futebol ou um clube para o futuro", acrescentou.

Retorno a Portugal

Na entrevista à Agência Lusa, o técnico brasileiro afirmou ter passado "cinco anos muito bons" em Portugal e admitiu voltar a trabalhar no país, caso o filho Fabrício seja admitido em uma universidade portuguesa em 2010.

"Passei cinco anos muito bons em Portugal. Tenho as melhores lembranças, não só no aspecto profissional, mas na minha vida pessoal. Não descarto este país para passar muito tempo. É um país que preenche todos os requisitos de que eu necessito para viver tranquilo", afirmou Scolari à Lusa.

Apesar de admitir "não ter convites" para voltar a trabalhar em Portugal, ele reconheceu que o país, "América" ou Inglaterra estão em seus planos para quando terminar o contrato com o clube uzbeque, em dezembro de 2010.

"Tenho um filho que termina o escolar (ensino médio) em junho de 2010 e deverá entrar numa universidade. Ele tem dois ou três projetos, na América, Inglaterra ou Portugal. Portugal é um dos projetos que passa pela cabeça do Fabrício para estudar", afirmou.

O técnico considera que a posição da família será muito importante para sua decisão futura, principalmente caso o filho escolha mesmo cursar a faculdade em Portugal.

"Pode ser que tenha mais um filho em Portugal e aí tenho que examinar o que vai acontecer. Eu vivo muito a família", disse.

Portugal surge no horizonte de Felipão, que recentemente admitiu que poderá voltar a treinar a seleção brasileira.

Copa 2018/2022 e Rio 2016

O treinador aproveitou também para analisar a candidatura luso-espanhola à organização da Copa do Mundo de 2018 e 2022, e considerou a ideia "maravilhosa".

"É uma candidatura maravilhosa. Só não é para algum outro concorrente", disse Scolari.

Ele empregou o plural para defender a candidatura luso-espanhola e exemplificou com a experiência conquistada por Portugal com a organização da Eurocopa 2004.

"Nós já temos os estádios, nós já temos o 'know-how' de 2004, que foi fantástico e está a ser copiado em todo o mundo. Nós temos o envolvimento da Espanha, temos a proximidade dos dois países. Não vejo porque razão não venha a ser vencedora", disse.

A recente escolha do Rio de Janeiro para organizar os Jogos Olímpicos de 2016 também é motivo de felicidade para o técnico gaúcho.

"O Rio é maravilhoso e o Brasil, ao receber este evento, vai se preparar mais e vai dar muito ao seu povo, porque muito terá de ser feito em benefício do povo", lembrou.

O Rio se tornou a primeira cidade sul-americana a receber os Jogos Olímpicos, decisão anunciada na última sexta-feira, durante a 121ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI).

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