Presidente tcheco reafirma oposição ao Tratado de Lisboa

Moscou, 14 out (Lusa) - O presidente da República Tcheca, Vaclav Klaus, declarou nesta quarta-feira em Moscou que não pretende assinar o Tratado de Lisboa em breve.

"As condições que apresentei para assinar o Tratado de Lisboa são muito sérias. Não tem fundamento a ideia de que eu posso esquecer as minhas objeções nos próximos dias", declarou Klaus após conversações com o seu colega russo, Dmitri Medvedev.

Numa entrevista coletiva conjunta, o presidente tcheco frisou que pretende que a República Tcheca, assim como a Polônia e o Reino Unido, não fique obrigada ao cumprimento da Carta de Direitos Fundamentais da UE no campo do respeito de alguns direitos trabalhistas.

"Não vejo razões nenhumas para enviar um sinal de Moscou à União Europeia... Eu expliquei ao senhor presidente que receio, e não só eu, o aprofundamento da integração no quadro da União Europeia. Para mim, trata-se de uma questão séria, vital e de princípio", acrescentou.

"Disse ao senhor presidente em que etapa das conversações com Bruxelas nos encontramos. Do meu ponto de vista, as condições que eu coloquei para assinar o tratado são sérias", concluiu Klaus.

O governo tcheco já assinou o Tratado de Lisboa e as duas câmaras do parlamento ratificaram o documento. Mas falta ainda a assinatura de Klaus.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse terça-feira esperar "que não sejam levantados obstáculos artificiais" à ratificação do Tratado de Lisboa pela República Tcheca, lembrando que a "boa fé e a cooperação leal são princípios da lei europeia".

Por sua vez, Dmitri Medvedev declarou que a Rússia não muda a sua posição em relação à criação de uma nova área para garantir a segurança na Europa, não obstante os Estados Unidos terem revisto o plano de instalação do sistema de defesa antimíssil na República Tcheca e Polônia.

"Não obstante a diminuição da tensão, não obstante a solução de uma série de questões, não obstante o reconhecimento do mundo atual multipolar por parte de jogadores internacionais significativos, penso ser valiosa a criação de semelhante área e iremos continuar a apoiar essa ideia", declarou Medvedev.

"A nossa posição é extremamente simples. Ela consiste em que nem todas as questões da garantia da segurança europeia podem ser resolvidas no âmbito dos institutos existentes, seja a UE, Otan, OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), CEI (Comunidade de Estados Independentes) para os países do antigo espaço soviético, Organização do Tratado de Segurança Coletiva. Penso que falta uma área comum para resolver essas questões", detalhou.

O presidente russo anunciou que, durante a visita de Vaclav Klaus a Moscou, serão assinados contratos no valor de "centenas de milhões de euros", acrescentando que, apesar da crise, as relações russo-tchecas "avançam bem".

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