Tarso defende uso de políticas sociais contra caos no Rio

Por Carla Mendes, da Agência Lusa

Brasília, 24 out (Lusa) - A onda de violência que atinge o Rio de Janeiro é produto de mais de 30 anos de omissão no Estado, que permitiu a ocupação de territórios por forças paramilitares do crime organizado, disse à Agência Lusa o ministro da Justiça.

Tarso Genro defendeu que o Estado paralelo que existe atualmente na cidade escolhida para ser sede das Olimpíadas de 2016 tem que ser desbaratado, não só através da repressão policial, como também de políticas sociais.

"Os nossos problemas de segurança são sérios, mas estamos precisamente num momento de mudança do modelo de segurança pública. A visão de controle policial é importante, porque contém o problema, mas não o elimina", destacou.

Criado por uma lei federal em 2007, o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) dá prioridade à prevenção da criminalidade sem abrir mão da repressão, quando necessário, e articula políticas de segurança com ações sociais.

"O combate ao crime organizado é sim uma questão de polícia, de inteligência, organização, permanência, treino, armamento adequado, mas também, fundamentalmente nessas regiões do Rio de Janeiro, é uma questão de fortes políticas preventivas voltadas particularmente para a juventude em situação de risco", explicou Genro.

O Pronasci prevê ainda a construção de prisões de segurança média pelo Governo federal destinados especialmente a jovens a cumprir pena, de forma a separá-los das penitenciárias estaduais que, na opinião do ministro da Justiça, são "cruéis e não têm efeito de recuperação".

O ministro admitiu que a Força Nacional de Segurança pode atuar no Rio de Janeiro, caso seja necessário e haja um pedido do Governo estadual, mas não acredita que a violência na cidade esteja relacionada com a quantidade de policiais.

"A solução está na continuidade de operações de ocupação através das chamadas unidades de polícia pacificadora e dos programas voltados para os jovens, setor da sociedade mais usado pelo crime organizado. Tudo isto associado à extinção dos focos de mercado que impulsionam o tráfico", frisou à Lusa.

"Este é o caminho correto que já está sendo adotado pelo Rio de Janeiro e é apoiado pelo Ministério da Justiça", acrescentou.

Genro disse que, tanto os problemas de segurança pública, como as medidas que estão sendo tomadas para enfrentá-los foram expostos ao Comitê Olímpico Internacional durante a candidatura do Rio para acolher os Jogos Olímpicos de 2016.

Para o ministro, a delinquência pesada, que perturba a vida da comunidade como um todo, não é apenas um problema nacional, mas global.

"As articulações vão desde a lavagem de dinheiro, sobretudo do tráfico de drogas, que dá sustentação ao tráfico de armas e que organiza, às vezes, estruturas de penetração até na esfera da política. Isto ocorre aqui no Brasil e em todas as partes do mundo", considerou.

Tarso Genro salientou, entretanto, que não existe no Brasil uma ameaça que atinge muitos países desenvolvidos - o terrorismo.

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