Presidente guineense quer resgatar orgulho de militares

Bissau, 29 out (Lusa) - O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, pediu nesta quarta-feira ao chefe do Estado-Maior Geral das Forças Armadas, Zamora Induta, para trabalhar no sentido de resgatar o orgulho dos militares "tal como (existia) no passado".

Bacai Sanhá fez o apelo na posse dos chefes militares dos três braços das Forças Armadas: Marinha, Exército e Aeronáutica - Estevão Na Mena, Mamadu Turé e Papa Camará, respectivamente.

Em discurso, o presidente guineense afirmou que, no "passado, as Forças Armadas guineenses eram o orgulho" do país, por "suas participações honrosas" em missões de paz.

"É vossa tarefa resgatar o orgulho das Forças Armadas que tantas alegrias e bom-nome trouxeram ao país. É isso que se espera das atuais chefias das nossas gloriosas Forças Armadas Revolucionárias do Povo", disse Bacai Sanhá, dirigindo-se a Induta.

O militar, que tomou posse do cargo na terça-feira, disse que a nomeação das novas lideranças era "um desafio lançado à nova geração".

"A nomeação das novas chefias é um desafio, no bom sentido do termo, lançado à nova geração, testando sua capacidade sucessória, que deve ser feita sem grandes sobressaltos", afirmou Induta em discurso, depois de empossar os chefes dos três braços militares, na presença do presidente, do primeiro-ministro e de convidados.

Para ele, sua nomeação ao cargo de chefe das Forças Armadas deve ser entendida também como uma "passagem de testemunho da velha para a nova geração" e um "desafio à capacidade da juventude" do país.

Induta ressaltou ainda que a cerimônia desta quarta-feira marcou o fim da transição na Chefia do Exército, e lembrou os assassinatos do general Tagmé Na Waié e do presidente João Bernardo 'Nino' Vieira.

"No dia 1º de março foi assassinado o então chefe do Estado-Maior, o general Tagme Na Waié, no edifício do Estado-Maior, com uma bomba telecomandada (?) entre as 19h20 e as 6h de 2 de março, foi igualmente assassinado o presidente da República, João Bernardo Vieira, criando, assim, uma situação de descontrole e de medo, com reflexos diretos na segurança do país, das instituições e das pessoas", lembrou Induta.

O chefe das Forças Armadas considerou que ele e mais 18 oficiais "movidos pelo sentido patriótico" tiveram de assumir o controle do Exército, evitando que o país mergulhasse novamente em um conflito militar "de consequências imprevisíveis".

Induta afirmou, porém, que nem sua família e nem os amigos aceitaram sua indicação para chefiar as Forças Armadas, "com a justa alegação" de que o cargo "representa morte iminente".

"A minha família e os meus amigos nunca aceitaram a minha indigitação para o cargo de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (?) na última década transformou-se num posto de iminente morte", disse Induta, acrescentando que é preciso mudar essa realidade.

"É imperativo acabarmos com a ideia de assassínios de chefes militares", concluiu o militar.

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