Prefeitura lusa cogita vender estádio da Liga dos Campeões

Leiria, 29 dez (Lusa) ? O prefeito de Leiria, Raul Castro, admitiu na segunda-feira à noite a possibilidade de vender o estádio municipal, um dos palcos da Liga dos Campeões da Uefa de 2004, pois considera o centro esportivo o grande responsável pela situação financeira da cidade, e afirmou que esta é a solução ideal para o município e para o concelho.

Na sessão da Assembleia Municipal de Leiria, após ser abordado por um membro do Partido Social Democrata (PSD) que pediu explicações sobre a questão, Castro - independente eleito pelo Partido Socialista (PS)? disse que existem três opções para o estádio.

As possibilidades em estudo no momento são manter a atual situação, sob a tutela da empresa municipal Leirisport, vender a um investidor privado ou passar a gestão do centro esportivo para a União Desportiva de Leiria.

Nesta terça, o prefeito explicou à Agência Lusa que entre serviço da dívida e despesas próprias de manutenção o estádio custa "cerca de cinco mil euros por dia", e admitiu que se as circunstâncias persistirem a Prefeitura vai continuar a ter naquele espaço "um sorvedouro de dinheiro que devia ser aplicado em outras obras".

Nesse sentido, através da venda do centro esportivo, o município pode "recuperar muito do investimento que ali está feito".

Quanto à possibilidade de transferir a manutenção e exploração do estádio para o clube, Castro reconheceu que é, no momento, a hipótese mais remota.

"Temos que buscar todas as hipóteses de rentabilizarmos aquele espaço. E, naturalmente, sabendo nós que há investidores a fazê-lo na Inglaterra e agora na Espanha, também não custa nada", declarou.

Para ele, "a venda seria o ideal para a Prefeitura e para o próprio concelho", pois assim poderá ter "acesso aos recursos que estão a penalizar gerações futuras".

Mudança de postura

Castro reconheceu que tinha, quando estava na oposição, uma postura crítica em relação às obras de ampliação e remodelação do estádio municipal Dr. Magalhães Pessoa, um dos palcos da Liga dos Campeões da Uefa de 2004, situação que justificou porque "o valor inicial era muito diferente" e "quando se começou a falar de valores maiores, apareceu a criação da Leirisport".

O prefeito explicou que as obras estavam orçadas em 19,5 milhões de euros (R$ 48,8 milhões, ao câmbio atual), mas o custo do estádio, incluindo a aquisição de terrenos, está atualmente "acima dos 90 milhões de euros" (R$ 225 milhões).

Perguntado sobre a forma como a população poderia reagir à venda do estádio, o prefeito respondeu: "As pessoas confessam estar desencantadas com o valor que ali foi feito, porque afinal está a servir um grupo muito reduzido de cidadãos leirienses".

"Basta ver os jogos para perceber isso", acrescentou.

O estádio municipal de Leiria atualmente possui capacidade para 23.888 espectadores. Durante a Liga dos Campeões de 2004, uma arquibancada removível elevou a lotação para cerca de 30 mil pessoas.

O maior público em jogos oficiais no estádio foi registrado nas duas partidas da Liga dos Campeões de 2004 que a cidade recebeu. No Croácia contra França, 29.160 pessoas assistiram ao confronto, enquanto 24.090 espectadores viram Suíça e Croácia se enfrentarem.

Os 22.676 espectadores que assistiram, em setembro, ao jogo entre União de Leiria e Benfica, pela quinta rodada do Campeonato Português, fixaram um novo recorde de público em competições portuguesas.

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