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26/09/2002 - 22h27

Garotinho desafia Serra a aumentar o salário mínimo

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato do PSB à Presidência, Anthony Garotinho, desafiou na quinta-feira o presidenciável José Serra (PSDB-PMDB) a viabilizar agora, na condição de "candidato do Presidente Fernando Henrique Cardoso, a proposta de aumentar o salário mínimo para 300 reais, anunciada pelo tucano no programa do horário eleitoral de quinta-feira.

Garotinho classificou a promessa de "um ato de desespero" e criticou o presidenciável do PSDB, chamando o tucano de "Serra Malvadeza".

"Ele está tão movido pelo desespero e covardia que já tem um novo apelido: 'Serra Malvadeza'. Ele é a versão tucana do Toninho Malvadeza, como o (ex-senador) Antonio Carlos Magalhães na Bahia. Essa promessa chega a afrontar. O Serra acha que o povo é bobo e vai acreditar nisso?. Se ele está no governo porque não aumenta agora?", perguntou em São Paulo.

O PSB pedirá direito de resposta ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por Garotinho ter sido citado no programa eleitoral de Serra veiculado no rádio.

Irônico, o presidenciável disse que o ataque tucano demonstra o "descontrole de um candidato que não se conforma com a possibilidade de derrota".

"O candidato (Serra) está desesperado porque com todo dinheiro que tem, mais o apoio de 15 governadores, dos banqueiros e do presidente da República, ele está perdendo para mim, um candidato que não tem recursos e dispõe de pouco tempo na TV. Ele não se conforma", desdenhou.

O ex-governador do Rio de Janeiro disse que Ciro Gomes, da Frente Trabalhista, não tem chance de recuperação e reafirmou ter "pesquisas internas" que o colocam à frente do candidato José Serra.

"Tenho certeza que já ultrapassei o Serra em todo o país. Estarei no segundo turno com Lula (PT) e vamos ganhar a eleição."

Garotinho caminhou por quase duas horas na região central da capital paulista. Ele escolheu a Ladeira General Carneiro e a Rua 25 de Março, as duas de grande movimentação do comércio. O candidato distribuiu panfletos, abraços, apertos de mão e beijos para mulheres e crianças.

O engraxate Marcelo de Oliveira da Silva, 22 anos, ofereceu e o candidato aceitou lustrar os sapatos. Garotinho achou um real pouco e pagou dois reais pelo serviço. Marcelo disse que votaria "no patrão".

O desempregado George Freitas se apresentou como voluntário. Com um pequeno aparelho de som nas mãos, andou ao lado de Garotinho tocando o jingle da campanha do candidato. Evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus, George disse que, se pudesse, trabalharia para Garotinho.

"Voto nele, porque ele tem fé", disse.

COMPROMISSO PESSOAL

À noite, o presidenciável do PSB assinou o termo de compromisso "Presidente Amigo da Criança" da Fundação Abrinq- Pelos Direitos da Criança e do Adolescente. O documento, baseado nas metas definidas na última sessão especial da Organização das Nações Unidas, fixa um prazo de seis meses para elaboração de um Plano de Ação para redução da mortalidade infantil, melhoria da qualidade de ensino e combate à exploração e violência.

O presidente da Abrinq, Hélio Mattar, lembrou que das 27 metas estabelecidas pela ONU, em 1990, o Brasil cumpriu apenas nove integralmente.

"É preciso levar em consideração que temos 61 milhões de crianças e adolescentes e 30 por cento vivem em famílias com renda abaixo de meio salário mínimo", disse Mattar.

Garotinho assinou o documento e elogiou a inclusão do tema no debate da campanha presidencial.

"Esse é um compromisso pessoal e não público", disse Garotinho, lembrando ser pai de nove filhos (quatro naturais e cinco adotados).

Garotinho foi o terceiro presidenciável a assumir o compromisso com a Abrinq. Serra ainda não respondeu ao convite feito pela Fundação.

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