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03/10/2002 - 02h23

Candidatos evitam confronto em debate morno para o Governo de SP

Por Jacques Schop, especial para a Reuters

SÃO PAULO (Reuters) - Quem assistiu ao debate entre candidatos ao governo de São Paulo promovido pela Rede Globo na noite de quarta-feira -- que invadiu a madrugada de quinta -- e esperava ver um confronto entre cada proposta de governo, foi para a cama frustrado.

Se o debate não foi dos mais "quentes", a diversidade prevaleceu. Houve de tudo, de candidato concordando com a pergunta de outro a agradecimentos a Deus e a Roberto Marinho, fundador e proprietário das Organizações Globo, pela realização do encontro.

Participaram do encontro o governador Geraldo Alckmin (PSDB-PFL-PSD), que tenta a reeleição, José Genoino (PT-PCB-PCdoB), Paulo Maluf (PPB-PL-PSDC-PTN), Carlos Apolinário (PGT-PHS-PST) e Ciro Moura (PTC-PRP-PSC-PTdoB).

A divulgação, horas antes do debate, da mais recente pesquisa Datafolha para sucessão estadual criou a expectativa de um embate entre os três principais concorrentes à cadeira no Palácio dos Bandeirantes.

Pela sondagem, Alckmin (PSDB) subiu de 31 por cento para 34 por cento. Maluf (PPB) manteve-se estável com 26 por cento das intenções de voto, e o petista Genoino, que vinha em trajetória ascendente, caiu três pontos e soma agora 21 por cento.

Porém, a rígida regra imposta pela produção da emissora, que limitou a escolha dos candidatos a serem questionados e, em alguns casos, determinou o participante que deveria responder as perguntas acabou engessando a atuação dos debatedores.

A linha de atuação dos candidatos durante toda a transmissão reproduziu a estratégia que cada um deles utiliza desde o início das campanhas. Alckmin, sempre bem munido de números e estatísticas, reforçou as ações e os projetos desenvolvidos pelo governo nos últimos oito anos.

Maluf voltou a criticar a política de segurança pública, os pedágios e salientou sua experiência e obras realizadas desde os tempos em que foi prefeito pela primeira vez de São Paulo no fim da década de 1960.

Genoino tentou passar a imagem de candidato da renovação e ressaltou o trabalho conjunto, que segundo ele, vem sendo realizado entre sua campanha e a de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial.

O candidato do PT foi protagonista de duas das três passagens mais curiosas do debate. Na primeira delas, durante o quarto bloco, quando tinha direito a uma pergunta com tema livre, indagou a Carlos Apolinário se ele tinha um candidato a presidente da República.

O candidato da coligação liderada pelo PGT foi pego de surpresa. Apolinário titubeou um pouco antes de responder.

"Já que você tocou no assunto, quero dizer que o meu candidato é o (Anthony) Garotinho", retrucou, enumerando as qualidades do ex-governador do Rio. Depois foi a vez de Genoino defender a candidatura Lula, dando ao debate de candidatos ao governo de São Paulo alguns minutos de propaganda à sucessão presidencial.

Em outro bloco, o petista foi provocado por Ciro Moura sobre a questão da coerência de seu partido diante das alianças realizadas para alavancar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.

Genoino devolveu, questionando a credibilidade de Moura para criticar o PT. A produção da emissora e o mediador Carlos Nascimento consideraram a resposta uma ofensa pessoal a Moura e concederam o direito de resposta ao candidato, o único de todo o debate.

O esperado confronto entre Maluf e Alckmin não ocorreu. Na única provocação feita, o candidato do PPB questionou o governador o motivo de não assumir, na campanha, o fato de ter sido presidente da comissão de estadual de privatização durante cinco anos.

"Não tenho nada a esconder. Não meça as pessoas pela sua régua", respondeu Alckmin, depois de explicar que a venda das estatais paulistas ajudou na reestruturação financeira de São Paulo.

Os candidatos devem passar a maior parte desta quinta-feira reunidos com suas equipes de campanha na preparação da agenda para o domingo, dia da votação.

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