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14/10/2002 - 19h13

Grupo do MST deve deixar fazenda de Wagner Canhedo na 3a

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - Cerca de 1.200 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que estão acampadas há 40 dias em uma fazenda do empresário Wagner Canhedo, em Goiás, deverão deixar a propriedade na manhã desta terça-feira.

A decisão foi tomada após negociação entre o MST, a Ouvidoria Agrária Nacional, Secretaria de Segurança Pública de Goiás e a Diocese de Mozarlândia, município onde fica a fazenda Santa Luzia, de 30 mil hectares. A área foi cercada na madrugada desta segunda-feira por 2.000 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar.

"Na verdade não foi um acordo, foi uma imposição da PM", disse à Reuters por telefone João Paulo Rodriguez, da coordenação nacional do MST. "Nossa única alternativa é deixar a área às 6h da manhã de amanhã."

A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de Goiás disse que as tropas da PM haviam sido enviadas para a fazenda porque os sem-terra invadiram a sede da propriedade e mataram 44 cabeças de gado na semana passada, informação negada pela coordenação do MST.

Segundo o movimento, cerca de cem bois foram doados pelo dono da fazenda "para resolver o problema da fome" no acampamento.

Reunindo cerca de 2.000 pessoas, o acampamento na fazenda Santa Luzia, a 400 quilômetros de Goiânia, tem 30 mil hectares e tornou-se um dos maiores acampamentos do MST no país.

ACORDOS

Rodriguez disse que os líderes do movimento no local tinham um acordo com o governo do Estado para permanecer na fazenda do empresário -- que é dono da companhia aérea Vasp -- até que outra área fosse encontrada para as famílias.

Na terça-feira, os sem-terra deverão ser transferidos de forma pacífica para a margem de uma rodovia próxima ao local ocupado.

Na manhã desta segunda-feira, o MST convocou uma entrevista coletiva para denunciar o caso.

"Nosso medo é que vire outro Eldorado dos Carajás, a possibilidade de ter conflito é grande", disse o coordenador aos jornalistas pela manhã, referindo-se ao conflito entre policiais e trabalhadores sem-terra ocorrido em abril de 1996, que deixou 19 ativistas mortos.

Os ativistas temem uso eleitoral do episódio e afirmaram que, durante três meses de campanha eleitoral, nenhum pedido de reintegração de posse havia sido feito.

Desde a última quarta-feira, no entanto, foram feitos, segundo o MST, 17 pedidos de despejo em seis Estados (Sergipe, Paraná, Pará, São Paulo, Espírito Santo e Goiás).

No Brasil existem 550 acampamentos de sem-terra que reúnem entre 90 e 95 mil famílias, de acordo com as estimativas da coordenação do movimento em Brasília.

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