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17/10/2002 - 17h37

Mata-mosquitos causam tumulto em ato de apoio a Serra

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um grupo de ex-agentes de combate ao mosquito da dengue, conhecidos como "mata-mosquitos", estragou a festa de apoio ao presidenciável José Serra, da aliança governista (PSDB-PMDB), nesta quinta-feira no Rio de Janeiro.

Ao discursar para uma platéia formada por cerca de 100 militantes e políticos tucanos que lotaram o auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Serra repudiou a manifestação dos mata-mosquitos e insinuou que o ato tivesse sido orquestrado pelo partido de seu adversário, o PT.

Criticando mais uma vez o candidato da coligação encabeçada pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, por resistir em participar de debates, a exemplo de seus aliados presentes à cerimônia, Serra disse que se surpreendeu com o que chamou de provocação.

"Fiquei até surpreso com essa provocação que foi armada hoje aqui. Só me lembro de provocação assim em 1964, antes do golpe", disse Serra, que recebeu uma comenda da Assembléia Legislativa do Rio no evento.

Interrompendo o discurso do deputado federal Dr. Heleno (PSDB), cerca de 10 os manifestantes levantaram cartazes que diziam "Dengue hemorrágica: Serra é o culpado" e "Serra é mentiroso", além de vaiarem e gritarem "E vai rolar a dengue, vai rolar", numa paródia da música de Ivete Sangalo.

Os mata-mosquitos responsabilizam Serra por terem sido afastados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) quando o candidato era ministro da Saúde. Segundo eles, a epidemia de dengue no Rio, que matou mais de 60 pessoas no último verão, poderia ter sido evitada se o trabalho dos agentes tivesse sido mantido.

Os militantes reagiram chamando o nome de Serra e retiraram os "mata-mosquitos" à força, em meio a socos e pontapés, com a ajuda de seguranças.

Mais tarde, em outro evento, Serra foi mais direto ao atribuir ao PT a responsabilidade pelo protesto dos mata-mosquitos.

"Lamento que o candidato do PT esteja evitando o debate e a comparecer a fóruns. Ele está tentando evitar comparações. Infelizmente, eles mandaram uma tropa de choque perturbar a nossa manifestação", disse o tucano.

"O PT e o Lula em vez de debaterem mandaram tropas de choque, fazendo agressões físicas e manifestações agressivas. É feio o PT e o Lula fazerem tropas de choque no momento em que deve haver debate de idéias, comparações e propostas," acrescentou.

No evento agitado pelos mata-mosquitos estavam presentes importantes lideranças políticas que apóiam o candidato, como o vice-presidente Marco Maciel (PFL-PE), o prefeito César Maia (PFL) e o governador eleito do Estado de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).

"Não é por acaso que estou aqui", disse Aécio. "É o primeiro ato político que participo como governador eleito do Estado (...) Quem está achando que já ganhou a eleição pode ter enorme frustração, Eu percebo que as coisas estão mudando."

"Meu apoio a José Serra é por responsabilidade neste país", disse Aécio, para abraçar o candidato tucano em seguida.

ADMINISTRAÇÃO VIRTUAL

Serra não poupou críticas ao PT em seu discurso. Ele notou que a prefeitura de São Paulo, administrada pelo partido, até hoje não atacou seus principais problemas. "É só administração virtual", disparou, antes de repetir que, se eleito, será o governo que vai mais mudar o país.

Os mata-mosquitos atrapalharam a visita de Serra desde o início da tarde. Logo ao chegar, o candidato se deparou com os manifestantes que estavam na entrada da ABI, dificultando o acesso dele ao elevador.

Na saída, mesmo com o policiamento ostensivo com mais de 60 homens, incluindo o Batalhão de Choque da Polícia Militar, Serra e seus correligionários tiveram que entrar em seus carros rapidamente para evitar os cerca de 30 manifestantes que o aguardavam.

Essa não é a primeira vez que Serra é hostilizado por "mata-mosquitos" no Rio. Antes do primeiro turno, durante passeio pelo Saara, mercado de comércio popular no centro da cidade, dois ex-agentes gritaram o mesmo refrão "E vai rolar a dengue" para o candidato, sendo afastados por seguranças do comércio local.

(Por Fatima Cristina)

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