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29/10/2002 - 21h54

Lula dá início à transição em giro pelos Três Poderes

BRASÍLIA (Reuters) - Depois da histórica vitória nas urnas no domingo, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, deu início nesta terça-feira à transição de poder, indicando o coordenador de sua equipe que trabalhará junto ao governo Fernando Henrique Cardoso e abrindo o diálogo com os Três Poderes.

Lula anunciou a indicação do médico Antônio Palocci, responsável pelo programa de governo da coligação encabeçada pelo PT durante a campanha, para coordenar uma equipe "eminentemente técnica" que cuidará da transição até janeiro.

Palocci, prefeito licenciado de Ribeirão Preto, vai chefiar o grupo, que será suprapartidário e cujos demais integrantes deverão ser conhecidos em dois dias.

Lula fez questão de ressaltar a preocupação de separar a equipe de transição de um futuro ministério de seu governo.

"Resolvemos separar a equipe de transição da discussão da montagem do governo, que será conduzida por mim... Quero fazer da forma mais democrática possível," disse Lula em pronunciamento no Palácio do Planalto, após encontro com o presidente Fernando Henrique.

A equipe, que terá como principal interlocutor dentro do atual governo o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, tratará de vários temas, principalmente o Orçamento de 2003 e reforma tributária. Palocci e Parente começaram os trabalhos já na terça-feira.

ACOLHIDA CALOROSA DO "PRESIDENTE COMPANHEIRO"

Em sua primeira viagem à Brasília após a eleição presidencial, Lula foi calorosamente recebido em todos os lugares que visitou. Na entrada do Palácio do Planalto, mais de 200 militantes e simpatizantes de Lula, com bandeiras do PT e faixas, homenagearam o presidente eleito, cantando o Hino Nacional e jingles da campanha do petista.

Ao deixar o Planalto, Lula quebrou o protocolo, ignorando o esquema de segurança para o presidente eleito, e desceu de seu automóvel para cumprimentar os populares que o esperavam por mais de três horas em frente à sede do governo.

Não satisfeitos com o breve contato com o novo presidente, os militantes cercaram o carro, impedindo-o de seguir numa manifestação de popularidade de um político há muito tempo não vista na capital federal.

No Congresso Nacional, onde também foi ovacionado por centenas de pessoas, Lula prometeu conversar com todos os partidos em busca de apoio parlamentar já durante a transição.

De imediato, ficou marcada uma reunião na quarta-feira com os líderes do governo e do PT na Câmara, deputados Arnaldo Madeira e João Paulo Cunha, para fazer um acordo de procedimento e acelerar a votação das cerca de 30 medidas provisórias que trancam a pauta.

O presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, acredita que as MPs possam ser votadas em 15 dias e que, nas últimas três semanas de trabalho do ano, a Casa tenha a possibilidade de votar os projetos de interesse do governo eleito, como o fim da cumulatividade do PIS e da Cofins, que faz parte da reforma tributária.

No encontro com Lula, Aécio, que deixará a Casa para governar o Estado de Minas Gerais a partir de 2003, sugeriu a realização de um encontro do presidente eleito com os novos governadores já este ano. Ele disse ainda que, se depender dele, os governadores eleitos do PSDB não vão pressionar o novo governo pela renegociação das dívidas estaduais.

Antes da reunião na Câmara, Lula visitou o presidente do Senado, Ramez Tebet. Ele também ressaltou a necessidade de diálogo com os diferentes setores da sociedade e prometeu estabelecer uma relação harmônica com os senadores.

Fechando o giro pelos Três Poderes, o presidente eleito reuniu-se por cerca de meia hora com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio Mello. No encontro, Lula também mostrou-se disposto a manter uma relação de entendimento com o Poder Judiciário e fazer o que for necessário para garantir seu bom funcionamento.

Para o sucessor de Fernando Henrique, uma boa relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário é condição essencial para a construção do pacto social que ele tanto defendeu durante sua campanha.

"Se eu quiser passar para a sociedade a idéia da constituição de um novo contrato social... o comportamento do presidente e das instituições tem que ser esse," disse ele, em um breve pronunciamento ao lado do presidente do STF.

Diante de tamanha manifestação de apoio popular, Lula reconheceu o peso de corresponder às expectativas das quase 53 milhões de pessoas que o elegeram.

"Acho que isso só aumenta a nossa responsabilidade," disse ele. "O que a gente percebe é que o povo está esperando que nós façamos aquilo que falta fazer no Brasil."

Lula disse que, pela primeira vez, o povo tem um "presidente companheiro e um companheiro presidente".

"É assim que ele me vê e assim que eu quero ser visto."

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