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01/04/2003 - 21h00

Para Pentágono, críticas à tática de guerra são infundadas

Por Will Dunham

WASHINGTON (Reuters) - Um general de alto escalão dos Estados Unidos condenou duramente as críticas à tática de guerra dos EUA no Iraque na terça-feira, principalmente as que vêm de oficiais militares aposentados que acusam o Pentágono de ter assumido riscos não-necessários por ter deslocado forças de combate em solo de maneira inadequada.

"Não ajuda nada divulgar esse tipo de comentário quando se tem tropas na linha de combate porque, em primeiro lugar, as idéias são falsas, errôneas, sem relação com a verdade e nocivas para nossos soldados que estão lá lutando com toda a sua coragem e bravura," disse Richard Myers, general da aeronáutica, durante um briefing do Pentágono.

Myers, que é chefe do estado Maior, classificou como "fictícias" as recentes críticas à tática de guerra no Iraque e a seu artífice, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld.

"Acho que não ajuda em nada alguns militares aposentados terem opiniões tão agressivas quanto têm demonstrado", afirmou Myers.

Os comentários inflamados de Myers foram uma exceção em seu comportamento, geralmente inabalável e muito educado em público.

As redes de TV americanas, tanto abertas quanto por assinatura, usaram diversos oficiais militares aposentados como analistas em suas coberturas, que também foram citados por jornais e revistas.

Segundo Myers, as críticas à estratégia não vêm de "membros da equipe que a traçou, que são responsáveis pelo plano. Criticar algo que nunca viram é um pouco audacioso demais, não é?", disse. Alguns oficiais na ativa, a maior parte deles falando sob condição de anonimato, e diversos oficiais aposentados, criticaram duramente a influência de Rumsfeld sobre uma tática de guerra que, segundo eles, tem poucas forças terrestres e fiou-se na pretensão imaginária de que os iraquianos não representariam resistência.

"É TUDO TOLICE"

Durante o briefing, Rumsfeld rejeitou totalmente as críticas a seu papel, e culpou a imprensa de difundir essas idéias.

"O fato é que, se alguém publica, todo mundo corre atrás para copiar e repete a informação. Logo, a coisa já foi publicada 16 vezes e todo mundo começa achar que deve ser mesmo verdade. É tudo tolice," disse Rumsfeld.

Ele também procurou diminuir seu papel no desenvolvimento da tática.

"A imprensa diz que fui eu quem delineou o plano, mas a tática foi desenvolvida pelo general Frank, e é uma tática que vai evoluindo com o tempo. Estou convencido de que é um ótimo plano", disse.

Rumsfeld também respondeu a um comentário feita pela porta-voz titular do Pentágono, Victoria Clarke, durante um briefing na terça-feira, em que ela disse que, depois de o presidente iraquiano, Saddam Hussein, ser derrubado, "o povo iraquiano será libertado de décadas e décadas da pior tortura e opressão que o mundo já viu."

Um repórter perguntou se Rumsfeld acreditava mesmo que Saddam era pior do que Hitler, Stalin, Pol Pot e outros ditadores do século 20.

"Quando se fala do mundo moderno, me parece que Saddam esteja no topo da lista", disse Rumsfeld.

Ele afirmou, porém, que não tinha conhecimento a respeito da afirmação feita por Clarke.

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