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03/04/2003 - 07h08

EUA avançam para Bagdá e Iraque envia tropas ao sul da capital

Por Luke Baker

SUL DE BAGDÁ (Reuters) - O Iraque movimentou tropas para a defesa de Bagdá na quinta-feira, enquanto forças dos Estados Unidos se posicionam nas entradas da cidade, ficando a apenas dez quilômetros da capital, após terem esmagado duas divisões de elite da Guarda Republicana durante seu avanço para o norte.

Oficiais militares norte-americanos disseram ao correspondente da Reuters Luke Baker na quinta-feira que unidades blindadas da 3a. Divisão de Infantaria do Exército dos EUA estão a apenas dez quilômetros do limite sul de Bagdá. Tropas da coalizão também estão-se posicionando para tomar o aeroporto da cidade.

"Forças da coalizão estão neste momento nos arredores do aeroporto de Bagdá e preparando-se para entrar em combate na hora em que decidirmos", disse o capitão Frank Thorp.

O Aeroporto Internacional Saddam fica a 20 quilômetros a sudoeste do centro de Bagdá.

A guerra liderada pelos EUA para derrubar o presidente Saddam Hussein entrou em sua terceira semana, e fontes militares norte-americanas disseram que o Iraque está enviando mais unidades da Guarda Republicana para o sul da capital, em tentativa de defender o aeroporto e bloquear o avanço dos invasores. A capital e suas periferias foram bombardeadas com força durante a noite. Segundo Thorp, integrantes de quatro divisões da Guarda Republicana do Iraque estavam seguindo em direção ao sul de Bagdá nesta quinta-feira para enfrentar tropas dos EUA que avançam rumo a Bagdá.

"As divisões Bagdá e Medina da Guarda Republicana não são mais forças efetivas de combate", disse Thorp.

"Temos informações de que membros de outras quatro divisões estão-se movendo ao sul. Estamos enfrentando-os, mas ainda não tivemos um confronto direto com as divisões da Guarda Republicana como um todo".

Soldados dos EUA passaram por Kerbala e Kut na quarta-feira e capturaram pontes importantes sobre os rios Tigre e Eufrates, preparando o caminho para um ataque a Bagdá.

Saddam prometeu que suas tropas vão repelir o exército invasor -- que agora afirma estar a dez quilômetros de Bagdá.

"Elas não deixarão que cheguem a Bagdá", disse Saddam em carta para seu sobrinho lida pela televisão estatal iraquiana na quarta-feira.

"Elas os enfraquecerão até que voltem para seus países derrotados, deixando nosso país para o seu povo."

Autoridades disseram que "uma lança está claramente apontada para o coração do regime de Bagdá". Mas outras autoridades disseram que os soldados dos EUA cruzaram a "linha vermelha" e entraram em áreas onde as forças iraquianas poderiam usar gases venenosos.

"Se for usado, estaremos preparados", disse o brigadeiro-general dos EUA Vincent Brooks em entrevista no Catar na quarta-feira.

HELICÓPTERO

Autoridades dos EUA confirmaram que os iraquianos derrubaram um helicóptero de combate Black Hawk (Falcão Negro) perto da cidade de Kerbala. O Comando Central informou ainda que um caça-bombardeiro F/A-18 Hornet dos EUA também foi derrubado.

O helicóptero foi derrubado por armas pequenas. Sete tripulantes morreram e quatro ficaram feridos, disse uma autoridade em Washington na quarta-feira.

Aviões de espionagem dos EUA avistaram unidades da Guarda Republicana do Iraque se movimentando em direção ao sul a partir da capital para tentar conter um ataque norte-americano, disseram à Reuters fontes militares. Oficiais disseram que não ficou claro o número de soldados iraquianos que participam do movimento.

O major-general Stanley McChrystal, vice-diretor de operações do Estado Maior Conjunto dos EUA, disse que o avanço dos EUA na quarta-feira destruiu duas das seis divisões da Guarda Republicana que defendem Bagdá. O Iraque nega e afirma que o moral de suas tropas está alto.

O secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, disse que os movimentos iraquianos para intensificar a defesa de Bagdá significa que lutas duras estão adiante.

"Nossas forças estão pressionando no solo e pelo ar", disse ele a repórteres.

"Minha opinião, entretanto, é que a Guarda Republicana ao redor de Bagdá provavelmente representará alguns dias difíceis adiante, e dias perigosos...em termos de batalha."

LUTA URBANA

O otimismo nos mercados financeiros após os avanços militares dos EUA na quarta-feira foram atenuados com as notícias da queda do helicóptero e do caça, lembrando que a guerra está longe de terminar.

De acordo com uma pesquisa da Reuters, os administradores de fundos esperam pelo menos mais seis semanas de guerra.

Aviões dos EUA continuaram bombardeando alvos em Bagdá na quinta-feira. "Foi uma das piores noites de bombardeios até agora em Bagdá e na periferia. Houve barulho de aviões a noite inteira", disse Nadin Ladki, correspondente da Reuters.

A central militar dos EUA no Catar disse que os aviões lançaram quase 40 "bombas inteligentes" contra uma instalação militar no distrito de Karkh, em Bagdá.

A defesa de Bagdá está-se preparando para a guerra urbana. Caminhonetes equipadas com metralhadoras e armas antiaéreas foram espalhadas pela cidade. Milicianos e membros do partido Baath, de Saddam, tomaram posições defensivas.

As forças dos EUA querem evitar a luta nas ruas de Bagdá, que pode causar muitas baixas civis e militares. Mas os planejadores da guerra acham que a possibilidade de guerra nas ruas está crescendo, já que Saddam concentraria suas forças na capital.

O correspondente da Reuters Sean Maguire disse que forças dos EUA bombardearam na quinta-feira a cidade de Kut, a 170 quilômetros ao sul de Bagdá, consolidando o domínio da região do rio Tigre.

Ao sul, tropas dos EUA seguiram em direção à cidade sagrada xiita de Najaf, procurando combatentes paramilitares Fedayeen, e apertaram o cerco a Nassiriya, onde parecem ter assumido o controle total das pontes sobre o Eufrates.

O canal árabe de televisão via satélite Al Jazeera disse que suspendeu o trabalho dos seus jornalistas no Iraque após dois correspondentes terem sido impedidos por autoridades iraquianas de transmitir notícias a partir de Bagdá.

Em Ancara, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, disse que chegou a acordo com a Turquia para enviar suprimentos através de território turco para soldados dos EUA no norte do Iraque.

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