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05/06/2005 - 18h26

Aliados da Síria esperam vitória em eleição no sul do Líbano

Por Kamel Jaber

HOULA, Líbano (Reuters) - O Hizbollah e a Amal, aliados fieis da Síria, tiveram desempenho majoritário nas eleições gerais no sul do Líbano neste domingo. A vitória pode ser lida como um voto a favor do armamento das milícias anti-Israel.

Os resultados oficiais não são esperados antes da segunda-feira, mas a chapa Amal-Hizbollah, chamada de o "rolo-compressor", diz ter garantido todos os 23 assentos na disputa nas regiões do sul.

"Eu agradeço a todo o meu povo no grande sul por renovar a confiança na chapa e pela vitória de todos os candidatos", afirmou o líder da Amal e presidente do Parlamento, Nabih Berri, em entrevista.

Muitos no reduto xiita vêem o voto no Hezbollah como reafirmação para que o grupo mantenha as armas, como forma de defender-se contra o vizinho Israel, que ocupou o sul do país por 22 anos, até a retirada em 2000.

"O objetivo é defender o Líbano, não as armas da resistência, mas para defender o Líbano precisamos defender as armas", afirmou o xeque Naeem Kassem, vice-líder do Hizbollah.

"Hoje, os sulistas disseram isso e a comunidade internacional precisa ouvir", acrescentou.

Centenas de simpatizantes com bandeiras verdes da Amal celebraram do lado de fora da casa de Berri, quando os resultados começaram a aparecer. Outros tomaram as ruas de vilas com bandeiras amarelas do Hizbollah.

O grupo, chamado por Washington de organização terrorista, e a Amal, mais moderada, são as forças dominantes entre os xiitas, majoritários no Líbano.

A primeira eleição geral no Líbano desde a retirada das tropas da Síria está sendo realizada em cada uma das regiões do país, em quatro fins de semana, até 19 de junho.

No sul, a aliança entre a Amal e o Hizbollah havia levado seis assentos antes mesmo da eleição, por causa da ausência de concorrentes. O comparecimento às urnas ficou em torno de 45 por cento, segundo o Ministério do Interior.

A Amal e o Hizbollah, apoiados por Damasco durante e depois da guerra civil no país (1975-90), assim como os xiitas em geral, não participaram dos protestos anti-Síria que tomaram Beirute depois do assassinato do ex-premiê Rafik al-Hariri, em 14 de fevereiro.

Esses protestos fizeram a Síria retirar as tropas em abril.

Os grandes desafios do novo Parlamento incluem uma resolução da Organização das Nações Unidas sobre o desarmamento do Hizbollah e o destino do presidente Emile Lahoud, aliado da Síria. Ele negou neste domingo que renunciará por causa da morte de Hariri e de um proeminente jornalista anti-Síria na semana passada.

Neste domingo também, pelo menos cinco pessoas ficaram feridas em conflitos, em Beirute, que antecederam as eleições. O Exército diz ter prendido 20 pessoas que causaram a confusão.

Espera-se que a oposição anti-Síria vença na maioria da regiões do Líbano, depois da morte de Hariri. O seu filho ganhou com facilidade o pleito de Beirute, na semana passada.

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