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10/02/2006 - 09h54

Israel protesta após Rússia divulgar plano de convite a Hamas

Por Adam Entous

JERUSALÉM (Reuters) - Israel criticou o plano da Rússia de convidar líderes do Hamas para visitar Moscou, afirmando na sexta-feira que a manobra minava os esforços feitos pela comunidade internacional para que o grupo militante reconheça o direito do Estado judaico de existir e para que renuncie à violência após vencer eleições parlamentares.

Em declarações dadas à Rádio Israel, o ministro de gabinete Meir Sheetrit acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de "esfaquear Israel pelas costas" quando disse que pretendia convidar líderes do grupo militante para uma visita.

Segundo autoridades israelenses, a Rússia pode influenciar a opinião de outros países a respeito de manter ou não contato com o Hamas.

"Qualquer fraqueza resultará em um efeito negativo -- não apenas para Israel, mas também para o povo palestino e para a comunidade internacional", afirmou a ministra das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, em entrevista concedida ao jornal New York Times.

Importantes autoridades do Estado judaico afirmaram que o país havia pedido uma explicação sobre o assunto ao embaixador russo em território israelense e a outras lideranças da Rússia.

"Isso não é apenas um tapa na cara de Israel. É um tapa na cara dos países ocidentais", disse uma autoridade israelense, que não quis ter sua identidade revelada porque as negociações com os russos ainda estavam acontecendo. "Estamos esperando por uma explicação."

O governo do presidente norte-americano, George W. Bush, também pediu que os russos expliquem a declaração de Putin.

O Hamas, considerado uma organização terrorista pelos EUA, venceu com folga o tradicional grupo Fatah nas eleições de 25 de janeiro.

Israel defende que nenhum governo deve manter contatos com o Hamas enquanto o grupo não reconhecer o Estado judaico e não renunciar às armas. O país descartou a possibilidade de negociar com o grupo, responsável por mais de 60 atentados suicidas realizados contra israelenses desde 2000.

Ismail Haniyeh, uma importante autoridade do Hamas, disse que líderes do grupo, cujos estatutos defendem a destruição de Israel, "ficariam muito satisfeitos" com uma visita à Rússia se Putin apresentar um convite formal.

Em um encontro realizado em Londres no dia 30 de janeiro, representantes dos quatro mediadores para o processo de paz na região (EUA, Rússia, União Européia e Organização das Nações Unidas) disseram que os palestinos poderiam perder a ajuda internacional enviada atualmente se o Hamas não mudasse de postura.

O grupo militante rejeita as pressões.

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