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22/02/2006 - 19h08

Conflitos religiosos matam mais 27 na Nigéria

ONITSHA (Reuters) - Pelo menos 27 pessoas morreram na quarta-feira no sudeste da Nigéria em retaliações a ataques cometidos por muçulmanos contra cristãos no norte, que mataram dezenas e deixaram milhares de desabrigados.

Já são pelo menos 73 mortos em cinco dias de conflitos religiosos, alimentados por tensões políticas, no país mais populoso da África.

"Há milhares de meninos com facões e paus fazendo vandalismo, contei pelo menos 20 corpos aqui na ponte de Onitsha", disse o fotógrafo da Reuters George Esiri em Onitsha, importante centro comercial no sudeste do país. "As vítimas são da etnia hausa, alguns estão queimados e alguns têm a barriga aberta".

Os hausa são o principal grupo étnico do norte, enquanto Onitsha fica numa área da etnia ibo. Os confrontos em Onitsha começaram na terça-feira, após a divulgação dos incidentes ocorridos em três cidades do norte.

Para analistas, esse foi o estopim de um problema ligado às incertezas políticas e particularmente às suspeitas de que o presidente Olusegun Obasanjo, cristão do sul, tentará um terceiro mandato.

Houve retaliação aos hausas na quarta-feira também em Enugu, outra cidade do sudeste, onde a Cruz Vermelha disse que pelo menos sete pessoas morreram e 150 ficaram feridas.

Em Onitsha, militares e policiais não conseguiram controlar a violência, embora tenham impedido a multidão de cruzar a ponte sobre o rio Níger, que marca a divisa com o Estado do Delta.

"Estamos retirando alguns desabrigados para Asaba, para albergues temporários, porque [os refugiados] estão sendo atacados em lugares onde acamparam inicialmente, como delegacias de polícia", disse um funcionário da Cruz Vermelha em Lagos.

Um médico no hospital geral da cidade disse que a polícia trouxe 20 corpos -- não foi possível saber se eram os mesmos cadáveres vistos pela Reuters na ponte. O morador Oliver Onah disse ter visto a multidão queimando dois policiais.

Os 140 milhões de nigerianos se dividem em partes quase iguais entre os muçulmanos, no norte, e os cristãos, no sul, sendo que há minorias religiosas consideráveis em ambas as regiões.

A violência religiosa é frequentemente alimentada por líderes políticos, e confrontos em uma parte do país geralmente levam a represálias em outras.

Não há dados oficiais sobre as vítimas do confronto de terça-feira em Onitsha, mas uma fonte de segurança disse que são dezenas. A Cruz Vermelha informou que houve 325 feridos e 2.000 refugiados.

Em Maiduguri, Bauchi e Katsina, no norte, pelo menos 46 pessoas morreram e milhares fugiram de suas casas durante quatro dias de confrontos entre cristãos e muçulmanos.

Em Maiduguri e Bauchi, a motivação foi puramente religiosa. Em Katsina, o estopim foi uma proposta de emenda constitucional que pode manter Obasanjo no poder.

"O clima político na nação já está muito ruim, e com a pobreza há muitos jovens desempregados", disse Adamu Abubakar, funcionário da Cruz Vermelha em Bauchi. "É por isso que esse tipo de crise começa facilmente."

A violência em Katsina e Maiduguri explodiu dias antes de as duas cidades realizarem audiências públicas sobre a reforma constitucional.

A maioria dos nigerianos acha que o verdadeiro objetivo dessas audiências é impor a emenda sobre o mandato presidencial, permitindo que Obasanjo se candidate de novo em 2007.

O governador de Borno, Estado no nordeste da Nigéria, aproveitou a audiência pública de quarta-feira na região e propôs o fim de limites à reeleição de ocupantes de cargos públicos. Do lado de fora, milhares de pessoas se manifestavam.

Há uma forte oposição ao terceiro mandato no norte porque muitos acham que em 2007 será a hora da região escolher o presidente, após oito anos de Obasanjo.

(Por George Esiri, com reportagem adicional de Ijeoma Ezekwere e Chukwujama Eze em Enugu e Tume Ahemba em Lagos. Texto de Estelle Shirbon)

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