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23/02/2006 - 21h24

Relatório da Casa Branca propõe mudanças contra futuros furacões

Por Tabassum Zakaria

WASHINGTON (Reuters) - Os militares devem ter um papel mais claro na reação a desastres como o furacão Katrina, disse a Casa Branca na quinta-feira, em um relatório sobre as falhas federais após a tempestade.

O presidente George W. Bush, muito criticado pela demora do governo em reagir ao furacão, encomendou o relatório em 6 de setembro, uma semana depois de o Katrina devastar Nova Orleans e outras áreas da costa sul dos EUA. A tempestade deixou cerca de 1.300 mortos e milhares de desabrigados.

Vários moradores esperaram dias, às vezes sobre os telhados, até serem resgatados das casas ilhadas. A cidade acabou sendo totalmente esvaziada, e a partir daí as equipes de resgate foram de porta em porta procurando corpos e sobreviventes.

Um outro relatório, do Congresso, havia criticado duramente a reação do governo ao desastre.

"Não fiquei satisfeito com a reação federal", disse Bush a seus secretários. "O relatório nos ajuda a antecipar como melhor reagir a futuros desastres."

O texto de 217 páginas reconhece que os preparativos para o furacão foram inadequados e diz que o atual sistema de segurança doméstica "tem falhas estruturais para tratar de fatos catastróficos", mas não atribui culpas.

O líder democrata no Senado, Harry Reid, pediu a criação de uma comissão independente para investigar as falhas do governo no caso Katrina. "É, lamentavelmente, um relatório tímido e às vezes auto-elogioso, escrito por aqueles que foram parte de um dos fracassos governamentais mais nocivos e perturbadores da nossa história", afirmou.

O relatório cobra mais planejamento, comunicação e distribuição de responsabilidades, identificando 11 mudanças necessárias antes de 1. de junho, quando começa a temporada de furacões. Entre essas mudanças está a necessidade de criar um órgão que controle todos os esforços federais quando houver um desastre iminente.

O texto defende também que a Guarda Nacional seja mais bem treinada e equipada contra esses desastres. A Guarda é formada por soldados de "meio-período", sob o comando dos governos estaduais, mas pode ser mobilizada também pelo Pentágono em situações de emergência.

"Em fatos realmente catastróficos, as autoridades estaduais e locais podem estar incapacitadas ou sobrecarregadas, ou ainda pior", disse Frances Townsend, assessora de Bush para Segurança Doméstica e responsável pela análise.

"Pode ser que os nossos militares sejam o último e único recurso. Precisamos nos planejar e preparar para que o Departamento de Defesa tenha um papel significativo durante fatos catastróficos futuros."

Townsend defendeu a lei de 1878 que proíbe aos militares desempenharem função policial dentro dos EUA, mas salientou que o presidente pode suspender essa lei em momentos de emergência. "Não acreditamos que o presidente precise de autoridade adicional", afirmou ela.

A assessora vai comandar também um Grupo de Reação a Desastres, que está por ser criado, a fim de "reduzir a burocracia e arbitrar eventuais disputas inúteis que surjam no calor da emergência".

Na semana passada, parlamentares republicanos divulgaram um relatório no qual acusavam as agências federais de estarem despreparadas para o Katrina e diziam que um envolvimento mais rápido da Casa Branca teria melhorado a situação.

(Reportagem adicional de Caren Bohan e Donna Smith)

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