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07/03/2006 - 14h53

Entidade defende visto de residência a vítima de tráfico sexual

Por Laura MacInnis

GENEBRA (Reuters) - A Europa deveria estender os direitos à residência no continente às milhares de mulheres vítimas de tráfico sexual descobertas todo ano, disse na terça-feira a Organização Internacional para a Migração.

A entidade disse que centenas de milhares de mulheres de todo o mundo são infiltradas em países e obrigadas a se prostituir. Desse total, o grupo, com sede em Genebra, estima que entre 150 mil e 200 mil mulheres sejam levadas para países europeus por ano. Ali, elas são trancafiadas, estupradas, espancadas e obrigadas a trabalhar na indústria do sexo.

Muitas vítimas do tráfico ficam impossibilitadas de voltar para casa, por vergonha do trabalho como prostitutas ou porque suas famílias foram cúmplices no tráfico, disse o vice-diretor-geral da organização, Ndioro Ndiaye.

"É muito comum que mulheres e crianças traficadas para a exploração sexual sejam duplamente vítimas, por causa do estigma ligado à prostituição", disse Ndiaye num comunicado divulgado na véspera do Dia Internacional da Mulher.

Os países europeus para os quais as vítimas são levadas deveriam garantir a essas mulheres um status de residência, para ajudá-las a se readaptar à sociedade, afirmou Richard Danziger, chefe da divisão antitráfico da Organização Internacional para a Migração.

"Defendo que os países europeus tenham um regime mais amistoso com as vítimas, em termos de vistos de residência e proteção em geral", disse Danziger, acrescentando que muitas vezes a repatriação é a medida inadequada.

"Elas (as vítimas do tráfico) não têm como conseguir uma vida melhor, e são simplesmente jogadas de volta em seu ambiente original".

As mulheres levadas para a Europa vêm na maioria das vezes do Leste Europeu e da Europa Central, incluindo os ex-países soviéticos Moldávia e Ucrânia, mas algumas delas também vêm da África Ocidental e da Ásia, disse a organização.

Alguns países da Europa, como Bélgica, Holanda e Itália, já oferecem residência temporária às vítimas do tráfico. A organização defende uma política de âmbito europeu nesse sentido -- primeiro para vistos de residência temporários, mas depois, idealmente, para vistos permanentes --, para ajudar essas mulheres.

Para Danziger, a instituição desse tipo de medida não intensificaria a pressão migratória sobre a Europa.

O "fator vergonha" impede que muitas mulheres denunciem o fato de ter sido vítimas de tráfico, e por isso o número real de candidatas ao visto de residência seria provavelmente mínimo.

A organização reconheceu que é difícil distinguir vítimas de tráfico de imigrantes ilegais, mas afirmou que as mulheres devem ter a chance de começar de novo.

Para aquelas que não queiram voltar para seus países, a entidade quer que sejam oferecidos assistência médica e psicológica, para ajudá-las a se reintegrar à sociedade.

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