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08/03/2006 - 19h55

Gripe aviária pode chegar à América em um ano, diz médico da ONU

Por Irwin Arieff

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - A gripe aviária, que já atinge a Ásia, a Europa, o Oriente Médio e a África, deve atravessar o Atlântico e chegar às Américas em menos de um ano, disse um importante funcionário da ONU na quarta-feira.

"Certamente será entre seis e 12 meses. E sabe-se lá, já erramos antes nessas coisas, se não será antes", disse David Nabarro, coordenador da ONU para o combate à doença em aves e prevenção a uma possível pandemia humana.

Ele previu que a travessia transatlântica do vírus ocorrerá em duas etapas: a primeira nos próximos meses, quando aves selvagens migram da África Ocidental para a região do Ártico; e a segunda seis meses depois, quando há migração de aves para as Américas do Norte e do Sul.

"Só acho que todo país do mundo agora precisa ter seus serviços veterinários em alerta para o [vírus] H5N1, para tentar garantir que não sejam apanhados de surpresa e descubram que ele entrou na sua população de aves de criação sem que soubessem", disse Nabarro em entrevista coletiva na sede da ONU.

"E aposto que muitos países no Hemisfério Ocidental estão fazendo justamente isso", acrescentou.

O H5N1 provocou a morte natural ou o abate de milhões de aves em mais de 30 países. Só no último mês ele chegou a 12 novos países. Desde 2003, a doença contaminou 175 pessoas, matando 96 delas.

Embora continue sendo uma doença de aves, que só atinge humanos que mantêm contato estreito com animais doentes, os cientistas temem que a gripe aviária sofra uma mutação que lhe permita o contágio entre pessoas, o que poderia gerar uma pandemia com milhões de mortos.

No futuro imediato, a difusão da doença entre aves africanas é o principal foco da equipe da ONU -- que inclui a Organização Mundial da Saúde, a FAO (órgão da ONU para agricultura e alimentação) e a Organização Mundial da Saúde Animal, segundo Nabarro.

A doença foi confirmada em Níger e na Nigéria, mas não houve morte de aves por causa dela em outros países africanos, embora Nabarro preveja a confirmação de casos nas demais nações do continente.

Representantes de mais de 40 países subsaarianos se reunirão para discutir a ação contra a doença ainda neste mês em Libreville, capital do Gabão, de acordo com o especialista.

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