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29/03/2006 - 18h30

Peru espera extradição de Fujimori até julho

Por Mónica Vargas

SANTIAGO (Reuters) - O Estado peruano espera para junho ou julho uma decisão da Justiça chilena sobre o pedido de extradição do ex-presidente Alberto Fujimori, acusado de violações de direitos humanos e corrupção, segundo o procurador peruano Antonio Maldonado.

Maldonado, que investiga os casos de corrupção ocorridos durante os dez anos do governo Fujimori, viajou a Santiago para avaliar junto aos advogados chilenos do Estado peruano os avanços no processo de extradição e os próximos passos a tomarem.

"Esperamos consolidar essa nova estratégia nestes dias. Em geral, a expectativa é de acelerar o processo de extradição até uma definição favorável do mesmo", disse Maldonado em entrevista à Reuters na noite de terça-feira.

"Inicialmente, afirmou-se que o processo de extradição poderia durar entre seis meses e um ano, mas agora acho que estamos em condições de dizer que talvez haja uma decisão de primeira instância entre os meses de junho e julho".

Ele disse que um dos fatores para a revisão dos prazos é a rapidez com que atua o juiz chileno encarregado do caso, Orlando Alvarez.

O magistrado recebeu no começo de janeiro 12 cadernos que sustentam o pedido de extradição e já ouviu Fujimori, dois de seus ex-assessores e seu filho mais novo, Kenji. Além disso, permitiu que os advogados do Peru e do ex-presidente tivessem acesso ao sumário das investigações.

Maldonado, que também teve acesso a tal sumário, contestou as respostas dadas por Fujimori nos quatro interrogatórios feitos por Alvarez, um deles sobre uma chacina que fez 25 mortos durante seu governo (1990-2000), a principal acusação do Peru contra ele.

"É chocante -- e eu diria até inaceitável -- para a inteligência dos peruanos uma negação sistemática dos fatos questionados. Em geral, o extraditável afirma não conhecer ou não ter participado dos fatos pelos quais o ministro Alvarez lhe interroga".

O procurador peruano disse que, embora não esteja de acordo, respeita a decisão do juiz de pedir ao Japão, onde Fujimori tem cidadania e viveu entre 2000 e 2005, os antecedentes e documentos dos pedidos de extradição que Lima formulou a Tóquio, sem êxito, desde 2003.

Fujimori foi preso em novembro ao desembarcar de surpresa em Santiago. Ele havia fugido para o Japão devido a um escândalo de corrupção que derrubou seu governo.

"O que a defesa do extraditável pretende, de maneira inaceitável e rigorosamente reprovável, é levar o governo do Japão a intervir materialmente num processo que corresponde exclusiva e soberanamente aos Estados do Peru e do Chile", disse Maldonado.

"Não faz sentido prolongar mais isso. Não temos temor nenhum dos antecedentes e documentos que o governo do Japão enviaria ao Chile, porque não houve nunca um pronunciamento sobre o mérito da petição peruana", acrescentou.

Semanas depois da prisão de Fujimori em Santiago, o Japão deu por concluído o processo de extradição contra Fujimori.

Maldonado disse que, até o momento, Lima não decidiu se apresentará ao Chile novos pedidos de extradição, embora a Justiça peruana já tenha aprovado duas petições neste sentido.

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