UOL Notícias Notícias
 

31/03/2006 - 14h36

Violência em escola de Berlim gera apelos por reforma

Por Karin Strohecker

BERLIM (Reuters) - Cenas de violência em uma escola de Berlim levaram a reivindicações por uma reforma educacional completa na Alemanha e por medidas para melhor integrar as crianças imigrantes no sistema de ensino.

As imagens de alunos encapuzados arremessando pedras em jornalistas e de policiais cercando a entrada do colégio Ruetli, no distrito de Neukoelln, reduto de turcos e árabes em Berlim, estão nos principais noticiários de TV desde quinta-feira.

Há quatro semanas, professores do Ruetli enviaram uma carta desesperada às autoridades, na qual pediam socorro e o fechamento da escola.

Os professores contaram que eram atacados pelos alunos. Disseram que muitos mestres só entram na sala de aula com o celular ligado, no caso de terem que pedir ajuda imediata.

"Olhando pra frente, o colégio deve ser dissolvido para que surja um outro, completamente diferente, do zero", escreveram os professores.

Neukoelln é uma área que sofre com desemprego, problemas sociais e pobreza. O Ruetli é um dos colégios de segundo grau alemães que fornecem o ensino do nível mais básico, em um sistema educacional que é multinível.

Mais de 80 por cento dos alunos do colégio são estrangeiros, apontaram os professores na sua carta.

Especialistas afirmam que a violência na escola mostra que a Alemanha fracassou na tentativa de integrar as crianças imigrantes ao sistema educacional. Eles pediram que o país termine com esses cursos de nível mais primário, como é o caso do Ruetli.

"Essas escolas se degeneraram em uma escola para perdedores", afirmou Christian Pfeiffer, diretor do Instituto de Pesquisas em Criminalística, de Hanover. "Crianças nessas escolas têm uma chance mínima de ter um aprendizado e, depois, um trabalho com base nele."

A educação na Alemanha é regulada pelos governos dos Estados. Na maioria das vezes, todas as crianças vão para a mesma escola durante os primeiros anos de ensino. Depois, são distribuídas pelos colégios de graus mais avançados. Algumas crianças continuam na base do sistema educacional.

"A tendência atual é haver uma educação mais e mais avançada", afirmou Marianne Renz, especialista em educação da Agência Federal de Estatísticas. "Isso significa que esses cursos básicos se tornaram a escola de quem é deixado pra trás."

Em 2004/2005, os alunos dessas escolas básicas eram um quinto de todos os estudantes secundários.

Políticos dizem que mudanças no sistema devem ser consideradas, mas os professores afirmaram que nada até agora foi feito nesse sentido.

"Esse caso mostra que a escola na Alemanha está sendo deixada sozinha com os seus problemas, até que ela pegue fogo de vez", declarou Ludwig Eckinger, líder da associação dos professores, em entrevista a um jornal alemão.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,79
    3,152
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    1,18
    65.148,35
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host