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13/04/2006 - 17h03

Ao depor, Moussaoui diz não querer pena de morte

Por Deborah Charles

ALEXANDRIA, Estados Unidos (Reuters) - Zacarias Moussaoui, conspirador confesso dos atentados de 11 de setembro de 2001, diz que não deseja mais ser executado, pois a pena de morte contraria os ensinamentos islâmicos. Ele, no entanto, disse duvidar que seu depoimento tenha qualquer influência sobre a decisão dos jurados.

Moussaoui, 37, se declarou culpado de seis acusações de conspiração relativas aos atentados de 2001. Nos últimos quatro anos, ele deu várias declarações indicando que ficaria satisfeito com a pena de morte.

Seu advogado Gerald Zerkin mostrou a ele uma petição apresentada em agosto de 2002 ao tribunal, na qual ele dizia que "a maior guerra santa do Islã é falar a verdade diante do tirano e ser executado por isso".

Moussaoui disse que não gostaria mais de incluir o trecho "e ser executado" naquela declaração, porque consultou livros muçulmanos e concluiu que a pena de morte viola suas crenças.

Pela segunda vez, ele assumiu a palavra, contrariando a orientação dos advogados. Criticou a defesa nomeada pela corte e disse que a estratégia dela deveria incluir o argumento de que a prisão é uma punição maior, pois a execução o transformaria em mártir.

Os advogados tentam convencer o júri de que o réu é mentalmente instável, com delírios a respeito de sua importância dentro da Al Qaeda, e que não deve ser condenado à morte.

Mas Moussaoui, cidadão francês, se recusa a cooperar com os advogados. Um deles perguntou se ele acha que os advogados conspiram para matá-lo. "Acho que você não tem meus melhores interesses no coração," afirmou Moussaoui a Zerkin. "Primeiro, você é americano; segundo, é judeu."

Uma das maiores queixas de Moussaoui é nunca ter sido defendido por um advogado muçulmano.

O réu disse em março ao tribunal que deveria pilotar um quinto avião no dia 11 de setembro, e lança-lo contra a Casa Branca. Anteriormente, ele afirmara que não participaria dos ataques de 11 de setembro, e sim de uma onda subsequente de ataques.

Muitos observadores acham que seus depoimentos fortaleceram a acusação de que esteve envolvido nas mortes de 3.000 pessoas nos atentados.

Usando macacão verde de prisioneiro e uma touca branca, Moussaoui disse na quinta-feira que seus comentários anteriores fazem pouca diferença.

"Pensei nas consequências de eu dizer que fiz parte do 11 de setembro. Decidi simplesmente colocar minha confiança em Deus, dizer a verdade, e o tempo dirá."

"Mesmo sem meu testemunho, levando em conta a emoção do caso, há definitivamente uma chance de que eu seja mandado para a morte."

Ele também disse que tentaria convencer o júri de que a sentença à prisão perpétua seria melhor que a pena de morte. pois seria capaz de salvar vidas norte-americanas, já que Moussaoui poderia ser usado como peça de uma barganha. A juíza Leonie Brinkema autorizou há mais de um ano que Moussaoui advogasse em causa própria, mas posteriormente retirou esse direito porque o réu fazia ataques frequentes ao tribunal à magistrada, aos advogados e às autoridades.

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