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24/04/2006 - 14h43

Ataques com carros-bomba matam ao menos 8 em Bagdá

Por Terry Friel

BAGDÁ (Reuters) - Uma onda de explosões de carros-bomba atingiu Bagdá nesta segunda-feira, matando pelo menos oito pessoas e ferindo quase 80.

Os ataques aconteceram ao mesmo tempo em que o indicado a primeiro-ministro do Iraque, Jawad al-Maliki, tentava escolher seu gabinete, que terá integrantes xiitas, árabes sunitas e curdos, na tentativa de acabar com a violência sectarista que, na opinião de muitos, pode levar o país a uma guerra civil.

Dois dos carros-bomba explodiram perto da Universidade Mustansiriya, matando cinco pessoas e ferindo outras 25, segundo dados oficiais. A explosão de outro veículo próximo ao Ministério da Saúde deixou três mortos e 25 feridos. Houve ainda quatro outras explosões na cidade, que feriram pelo menos 27 pessoas.

Guerrilheiros atacaram uma delegacia de polícia próxima à cidade de Tikrit, onde Saddam Hussein nasceu, e mataram quatro policiais. Os insurgentes são apoiados pela minoria sunita, que dominava o país durante o regime de Saddam.

Maliki, que pertence à maioria xiita do país, tem quatro semanas para definir um novo gabinete e formar o governo, coisa que ainda não aconteceu desde as eleições, realizadas em dezembro. Acredita-se que a criação de um governo nacional seja a única forma de conter a violência sectarista.

O gabinete e a própria indicação do nome de Maliki para o cargo, feita pelo presidente Jalal Talabani no sábado, têm de ser ratificados pelo Parlamento.

TESTE CHAVE

Uma das missões mais difíceis do novo premiê será escolher o titular da pasta do Interior, um posto estratégico.

"Não queremos nada além de segurança e uma comunidade segura na qual possamos viver e criar nossos filhos", disse o executivo Wael Khamis, de 44 anos.

"Tudo o que nos resta é a esperança e o sonho de uma vida melhor. O novo governo é nossa última chance. Meu desejo é sair de carro com minha família sem ter medo".

Com Maliki no processo de formar uma coalizão e colocar um fim a quatro meses de paralisia política em Bagdá, o Irã xiita disse que não havia mais necessidade de discutir com os Estados Unidos a situação iraquiana.

"Achamos que, devido à presença de um governo permanente no Iraque, não há necessidade", disse o presidente Mahmoud Ahmadinejad a repórteres em Teerã. Os dois países haviam concordado em discutir como estabilizar o Iraque.

Mas, se o impasse político parece encerrado, a carnificina prossegue.

Yarub Yassin, de 22 anos, deveria se casar esta semana, mas foi um dos sete mortos num ataque ocorrido em Bagdá no domingo. Foi enterrado na segunda-feira, o corpo envolto pelos lençóis que havia comprado para a noite de núpcias.

JULGAMENTO DE SADDAM

Na chamada Zona Verde de Bagdá, o tribunal que está julgando Saddam Hussein por crimes contra a humanidade foi comunicado de que as assinaturas do ex-ditador e de seis outros réus em documentos que os ligam ao massacre de 148 xiitas nos anos 1980 são autênticas.

A promotoria havia pedido a uma equipe de especialistas que verificasse a autenticidade dos documentos e da caligrafia. Saddam e seu meio-irmão Barzan al-Tikriti recusaram-se a fornecer amostras de suas caligrafias, mas os dois disseram que não era crime perseguir os 148 xiitas do vilarejo de Dujail, já que eles haviam sido acusados de tentar matar o ex-presidente iraquiano.

Os réus podem ser condenados à morte por enforcamento. Os advogados de defesa pediram 45 dias para analisar as novas evidências. O julgamento foi suspenso até o dia 15 de maio.

A promotoria escolheu iniciar o julgamento pelo caso de Dujail porque seria mais fácil obter um veredicto do que em outras acusações, como a de genocídio contra os curdos e a de crimes contra a humanidade na repressão aos levantes xiitas.

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