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02/05/2006 - 17h32

Superávit recua em abril por importações e dias úteis

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O superávit comercial brasileiro diminuiu em abril, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, como reflexo de um crescimento expressivo das importações e de um menor número de dias úteis no mês passado.

Em quase cinco anos, foi a primeira vez que o saldo comercial recuou na comparação anual --a última queda havia sido apurada em julho de 2001.

Em abril, as médias diárias das exportações e das importações registraram cifras mensais recordes, mostraram dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior nesta terça-feira.

O saldo comercial foi positivo em 3,097 bilhões de dólares em abril, ante 3,870 bilhões de dólares em abril do ano passado e 3,680 bilhões de dólares em março deste ano.

No mês, a média diária das importações cresceu 39,8 por cento frente à média de abril de 2005 --tendo passado de 266,6 milhões de dólares para 372,6 milhões de dólares. Na mesma comparação, a média diária das exportações cresceu apenas 18,4 por cento, para 544,7 milhões de dólares.

O secretário de Comércio Exterior do ministério, Armando Meziat, afirmou que o fato de o ritmo de crescimento das importações ter sido tão maior do que o das exportações, aliado ao menor número de dias úteis --18 contra 20 em abril de 2005--, explica o resultado mensal.

Ele acrescentou que a tendência geral é de que as importações continuem se expandindo acima das exportações, o que "possivelmente" pode resultar em um saldo comercial este ano fique abaixo do registrado em 2005, de 44,76 bilhões de dólares.

O secretário descartou, contudo, preocupações com essa trajetória. "Não existe qualquer temor com o crescimento das importações, isso é a melhor coisa que poderia acontecer na economia", declarou Meziat a jornalistas, destacando que as importações aumentam a competição no mercado interno e contribuem para conter a valorização do câmbio.

BENS DE CONSUMO

O resultado de abril refletiu exportações de 9,804 bilhões de dólares e importações de 6,707 bilhões de dólares. Em março, as vendas externas haviam somado 11,366 bilhões de dólares e as importações alcançado 7,686 bilhões de dólares.

A alta das importações foi puxada por um crescimento de 91,1 por cento nas importações médias diárias de combustíveis e lubrificantes e de 52,4 por cento de bens de consumo. As importações de bens de capital, por sua vez, tiveram evolução de 39,3 por cento na comparação diária.

O relatório ministerial indicou ainda que os manufaturados foram destaque das exportações em abril, com a média de vendas de 302,1 milhões de dólares. No período, os produtos cujas vendas cresceram foram gasolina, óleos combustíveis e aviões.

ACUMULADOS

Nos últimos 12 meses, o superávit comercial é de 45,011 bilhões de dólares, contra 37,735 bilhões de dólares em igual período de 2005.

No ano, o saldo está positivo em 12,438 bilhões de dólares, acima dos 12,175 bilhões de dólares no mesmo acumulado do ano passado.

O superávit quadrimestral --também um recorde para o período, conforme o ministério-- advém de 39,191 bilhões de dólares em exportações e de 26,753 bilhões de dólares em importações.

"Pelo o que a gente viu acontecer neste primeiro quadrimestre, a meta de exportações no ano de 132 bilhões de dólares continua mantida, com grandes probabilidades de ser atingida", estimou Meziat.

O mercado prevê para 2006 um superávit comercial de 40,37 bilhões de dólares, mostrou a última pesquisa semanal do Banco Central.

(Por Isabel Versiani e Vanessa Stelzer)

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