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15/05/2006 - 18h32

García ameaça dissolver Congresso do Peru em caso d "obstrução

Por María Luisa Palomino

LIMA (Reuters) - O ex-presidente social-democrata Alan García, líder nas pesquisas para a Presidência do Peru, disse na segunda-feira que o seu eventual governo fechará o Congresso e convocará novas eleições, se o Legislativo "obstruir" o desenvolvimento do país.

García aparece nas pesquisas com pelo menos 56 por cento das intenções de voto para o segundo turno da eleição em 4 de junho, quando enfrenta o ex-militar nacionalista Ollanta Humala, figura temida por investidores pela sua intenção de nacionalizar a economia.

"Se começar o escândalo e a obstrução, exercerei o direito da Constituição de chamar o povo para eleger um novo Congresso", disse García à rádio RPP.

"Guerra avisada não mata gente. Estão notificados os senhores congressistas. Não vamos permitir um Congresso de 'otorongos' (espécie de leopardo), cheios de pendengas, nem que estejam fazendo escândalos", disse o ex-presidente.

"O Peru precisa de autoridade e ordem. Não quero uma democracia molenga", acrescentou.

Segundo os resultados oficiais parciais das eleições gerais de 9 de abril, o próximo presidente --seja Humala ou García-- não terá maioria no Congresso, onde haverá pelo menos cinco partidos.

O grupo de Humala ocupará 22,03 por cento das 120 cadeiras do Congresso. García terá apoio de 20,51 por cento. Os conservadores ligados a Lourdes Flores, por sua vez, ocuparão 14,75 por cento.

Ao longo da campanha, García promete reduzir o salário dos deputados, que chega quase a 8.000 dólares, ou 52 salários mínimos locais.

Humala também promete reduzir os salários dos congressistas, mas não acha necessário dissolver o Legislativo.

O ex-presidente, cujo governo (1985-90) terminou com uma grave crise econômica e no auge do confronto com a guerrilha Sendero Luminoso, faz no domingo, dia 21, o primeiro debate contra Humala. Não ocorreram debates antes do primeiro turno.

"Um domingo me parece bom, porque permitirá uma maior audiência que em um dia de semana", disse Humala à TV América.

As regras do debate serão definidas nos próximos dias por assessores dos dois candidatos.

Segundo analistas, García pode levar vantagem, graças à sua ótima retórica e à sua experiência política.

Humala subiu um ponto na última pesquisa do instituto Apoyo, atingindo 44 por cento. Alfredo Torres, diretor do instituto, prevê que o ex-militar continuará crescendo nos próximos dias. "Não temos ainda um vencedor do segundo turno, as próximas semanas serão decisivas para definir quem ganha as eleições", disse Torres à rádio RPP.

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