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29/05/2006 - 21h54

Advogados de vítimas denunciam comandantes da ditadur uruguaia

MONTEVIDÉU (Reuters) - Advogados de familiares de vítimas da ditadura uruguaia (1973-1985) denunciaram na segunda-feira os comandantes militares da época que provocaram violações de direitos humanos, alguns dias depois de chefes do Exército terem assumido sua responsabilidade durante o regime.

Uma lei de anistia impede de julgar militares e policiais por delitos cometidos enquanto cumpriam ordens durante a ditadura. Mas os advogados das vítimas entendem que os comandantes não estão amparados pela lei, pois ela nada diz sobre quem ditava as ordens.

A ação dos advogados está baseada em denúncias penais pelo desaparecimento de María Emilia Islas, Juan Pablo Recagno, Juan Pablo Errandonea e Ary Cabrera, sequestrados na Argentina em 1976.

As denúncias investigam a existência de um vôo que transportou clandestinamente os prisioneiros de Buenos Aires a Montevidéu, no início de outubro daquele ano.

"Solicita-se que sejam citados na qualidade de depoentes os ex-comandantes que recentemente se responsabilizaram pelas ações no período cívico-militar, e que, pela hierarquia que ostentavam, poderiam muito bem ter conhecimento da existência do vôo", disse a jornalistas o advogado Oscar López.

Em meados de maio, dez ex-comandantes do Exército disseram em uma carta pública que os oficiais seguiram ordens de seus superiores.

Entre os que assinaram a carta estava o presidente do governo durante a ditadura, Gregorio Alvarez.

Um informe das Forças Armadas entregue no ano passado ao governo do presidente uruguaio Tabaré Vázquez reconheceu a existência de dois vôos, um em julho e outro em outubro, mas não acrescentou detalhes sobre o destino dos presos transportados.

O atual chefe da Força Aérea, Enrique Bonelli, reconheceu ter sido o co-piloto do segundo vôo.

Segundo a anistia, aprovada em 1986 e ratificada pela população em 1989, não se pode julgar militares e policiais pelos delitos cometidos "por ações ordenadas por comandantes que atuaram durante o período de fato".

Cerca de 180 uruguaios desapareceram durante a ditadura, principalmente na Argentina.

(Por Conrado Hornos)

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