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02/06/2006 - 18h07

Insulza enfrenta "tarefa impossível" na liderança da OEA

Por Tom Brown

MIAMI (Reuters) - Quando o chileno José Miguel Insulza foi eleito secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em maio de 2005, havia esperanças de que ele pudesse ressuscitar um órgão considerado ineficiente e dominado por Washington. Um ano depois, muito pouco mudou.

A OEA realiza mais uma Assembléia Geral, a partir de domingo na República Dominicana, mais desprezada e incapaz de resolver problemas do que nunca.

Apesar disso, Insulza, um respeitado negociador de 63 anos, ainda é visto com estima por analistas e diplomatas. Mas problemas financeiros -- os países não pagam suas contribuições -- limitam sua capacidade de ajudar membros da OEA, como o Haiti.

Já tarefas como mediar as disputas entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela estão fora do alcance de Insulza, segundo analistas.

"É uma organização fraquíssima", disse Moises Naim, editor-chefe da revista Foreign Policy. "Eu considero [Insulza] como um operador altamente competente, encarregado de uma tarefa impossível, que é construir estabilidade política e fortalecer processos eleitorais e instituições na América Latina num momento em que muitas forças poderosas conspiram contra isso."

Em seus três dias de reunião em Santo Domingo, os chanceleres da maioria dos 34 países da OEA vão discutir questões como corrupção, pobreza e desigualdade, que ainda são endêmicos na América Latina.

O texto-base da declaração final é particularmente morno, mesmo para os padrões da OEA. Deixa de lado tensões regionais, para salientar a importância da tecnologia da informação para a educação, o bom governo e o desenvolvimento.

Para alguns analistas, o maior problema da OEA é ainda ser muito controlada por Washington, num momento em que o governo Bush continua envolto no Iraque, na guerra ao terrorismo e na questão nuclear iraniana.

"São 33 ratos e um gato grande", comparou Larry Birns, diretor do Conselho de Assuntos Hemisféricos, uma entidade esquerdista de Washington. "E ninguém no governo Bush está realmente interessado da OEA."

Um sinal disso é que a secretária de Estado Condoleezza Rice será representada na reunião por seu adjunto, Robert Zoellick. Rice está mais concentrada em outras questões, especialmente a do Irã, segundo um alto funcionário do Departamento de Estado.

"Todos gostariam de ter a secretária, mas não seria adequado falar em frustração", disse Insulza à Reuters na quinta-feira, considerando normal o fato de ela se dedicar mais ao Irã.

Um funcionário dos EUA disse que Thomas Shannon, principal diplomata dos EUA para a América Latina, também cancelou sua participação.

Esse desprezo pode ser perigoso num momento em que o antiamericanismo campeia na América Latina, mas não surpreende quem já considera a OEA irrelevante. "É como uma peça do [estilo teatral japonês] kabuki", disse Riordan Roett, diretor de Estudos Latino-Americanos da Universidade Johns Hopkins, referindo-se à assembléia da OEA.

"Todos fingem acreditar que esta organização é importante e que esse pessoal vai tomar decisões importantes. Sabem que não. Você e eu sabemos que não. Então vamos para essa reunião fictícia na qual eles vão aprovar, você e eu sabemos, resoluções sobre questões que eles não podem controlar, e daí vão para casa."

(Reportagem adicional de Saul Hudson em Washington)

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