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21/06/2006 - 14h03

ONU alerta para violência sexual em zonas de guerra

Por David Brunnstrom

BRUXELAS (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) disse na quarta-feira que é necessário um esforço global para combater a ocorrência de estupros e outros abusos sexuais em zonas de guerra, e chamou as providências tomadas até agora sobre o problema de "vergonhosamente inadequadas".

Relatos sobre atos repulsivos de violência sexual em regiões afetadas por guerras no mundo todo foram apresentados em Bruxelas numa conferência da qual participaram enviados de mais de 30 países.

Thoraya Ahmed Obaid, diretora-executiva do Fundo Populacional das Nações Unidas, disse à conferência que a maioria das propostas para tratar do assunto continua sem financiamento.

"As respostas até agora foram vergonhosamente inadequadas, levando-se em conta a escala do problema", disse ela. "Precisamos de vontade política e liderança, e de ações que se mantenham".

Um relatório da ONU elaborado para a reunião afirmou que a Bósnia e Herzegovina documentou 40 mil casos de estupros ligados à guerra até 1993, e que até 45.600 mulheres albanesas do Kosovo sofreram violências semelhantes entre 1998 e 1999.

No conflito de Serra Leoa, até 64 mil mulheres podem ter sido vítimas de abusos sexuais, e 20 por cento das 1.500 mulheres do Burundi entrevistadas pela ONU afirmaram ter sido estupradas. Muitas tinham também testemunhado estupros de menores.

"As histórias são horríveis", disse Obaid. "Precisamos aumentar a escala da resposta para que as mulheres não achem que seu pedido de ajuda é um grito no deserto".

Entre os incidentes relatados estava o de uma mulher do Congo que encontrou soldados paramilitares estuprando seu bebê de apenas 10 meses, o de uma jovem estuprada por seis árabes diante de sua família, em Darfur, e o de uma jovem de uma minoria étnica que foi estuprada várias vezes e depois queimada viva por um major do Exército em Mianmar.

A conferência, que durará três dias e está sendo patrocinada pela Comissão Européia e pela Bélgica, é o primeiro encontro internacional a tratar especificamente da violência sexual em áreas de guerra, e a expectativa é que ela seja concluída com um apelo global por providências.

Obaid disse que a tragédia do estupro é ainda mais agravada quando as mulheres acabam infectadas com o HIV.

"Nossa atual incapacidade de proteger a saúde de meninas e mulheres em situações de conflito e pós-conflito é um fracasso de proporções globais na área dos direitos humanos", disse ela.

Numa declaração, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu aos doadores que financiem programas ligados ao assunto, que chamou de "um problema de direitos humanos e de saúde global e um empecilho à paz".

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