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19/07/2006 - 11h35

ONU diz que violência sectária ameaça governo do Iraque

Por Alastair Macdonald

BAGDÁ (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) soou um alarme na quarta-feira, afirmando que um recrudescimento da violência sectária no Iraque era uma catástrofe capaz de derrubar o governo de unidade nacional que conta com o apoio dos Estados Unidos e que tomou posse há apenas dois meses.

"Esperamos que não haja uma guerra civil no Iraque", disse o enviado da ONU a Bagdá, Ashraf Qazi. "Apesar de, neste momento, o nível de violência estar bastante elevado no país".

"A tendência de escalada representa o maior perigo enfrentado pelo Iraque porque ameaça corroer a autoridade do governo", afirmou. "O fato cada vez mais comum de iraquianos sendo mortos por iraquianos diariamente não é nada menos que catastrófico".

O apelo dramático dirigido à população iraquiana aparece depois de dois dos incidentes mais violentos do ano terem matado 120 pessoas em dois dias.

A ONU concordou com dados divulgados por iraquianos segundo os quais cerca de cem civis eram mortos por dia no país, somando cerca de 6.000 nos últimos dois meses.

O sequestro de 19 funcionários de uma agência responsável por supervisionar as mesquitas sunitas chama atenção para a gravidade das desavenças entre os diferentes grupos religiosos do país.

Qazi e o presidente iraquiano, Jalal Talabani, pediram aos líderes religiosos muçulmanos que se unam para brecar o derramamento de sangue.

Os ataques cada vez mais ousados, realizados à luz do dia por homens armados, integram o elenco de atos violentos deste mês no Iraque, somando-se aos atentados suicidas, mais comuns. Um atentado desse tipo matou 60 trabalhadores xiitas na terça-feira, perto de Najaf.

Homens armados invadiram dois mercados na quarta-feira, um em um bairro xiita de Bagdá e outro no vilarejo de Rasheed (sul da capital), matando sete pessoas no total. A polícia da área localizada ao sul de Bagdá, conhecida como o "triângulo da morte", responsabilizou pela ação o mesmo grupo sunita suspeito de ter matado quase 60 pessoas em um ataque com granadas e armas de fogo na cidade de Mahmudiya, na segunda-feira, no pior incidente do tipo.

Dez dias atrás, supostos milicianos xiitas atacaram uma área sunita de Bagdá, matando cerca de 40 pessoas.

Em Mahmudiya, a polícia também descobriu os corpos de 18 homens, entre os quais três policiais, com sinais de tortura -- episódios do tipo repetem-se com frequência na guerra civil de baixa intensidade travada entre a minoria sunita, antes dominante, e os xiitas, atualmente à frente do governo.

A presença de 140 mil soldados estrangeiros no Iraque, em sua grande maioria norte-americanos, tem ajudado as novas forças do governo a impedir os grupos armados de atuarem abertamente e de dominarem territórios.

Mas membros do governo afirmam que esses grupos esforçam-se para aprofundar ainda mais as divisões que marcam o país.

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, disse que a violência é um desafio imediato ao governo de unidade nacional do qual participam xiitas, sunitas e curdos. Esse governo tomou posse no dia 20 de maio.

Segundo Maliki, o primeiro encontro da Comissão Nacional de Reconciliação, a ser realizado no sábado, incluiria líderes antes contrários ao processo político patrocinado pelos EUA.

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