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31/07/2006 - 20h34

Israel rejeita pressão para acabar guerra no Líbano

Por Nadim Ladki

BEIRUTE (Reuters) - Israel rejeitou na segunda-feira a crescente pressão internacional para acabar a guerra contra o Hizbollah e fez uma nova incursão no Líbano.

Encerrando uma visita a Israel, a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, disse que pode haver um cessar-fogo nesta semana. Mas, apesar da indignação internacional pela morte de 54 civis, a maioria crianças, num bombardeio no domingo, o primeiro-ministro Ehud Olmert disse que não haverá trégua por enquanto.

"O combate continua. Não há cessar-fogo nem haverá nos próximos dias", afirmou Olmert, sob aplausos, numa reunião com prefeitos do norte de Israel.

No início da terça-feira (horário local), o gabinete de segurança de Olmert aprovou uma ampliação das ofensivas terrestres das forças israelenses em território libanês. Agora depende do Exército do país quando e se haverá uma operação terrestre mais ampla.

Um funcionário da ONU disse que uma reunião da entidade sobre o envio de uma força de paz ao Líbano, marcada para segunda-feira, foi cancelada "até que haja mais clareza política" sobre a guerra, iniciada há 20 dias.

O chanceler do Irã, Manouchehr Mottaki, cujo país é o principal patrocinador do Hizbollah, se reuniu em Beirute com seu homólogo francês, Philippe Douste-Blazy, para discutir a crise.

A Síria, que também apóia a guerrilha xiita libanesa, colocou seus militares de prontidão e prometeu não abandonar o apoio à resistência libanesa contra Israel.

Os civis fugiram de aldeias do sul do Líbano depois que Israel disse ter aceitado uma suspensão parcial dos bombardeios durante 48 horas. Comboios humanitários chegaram à área para entregar mantimentos.

Equipes de resgate encontraram 49 corpos presos há vários dias em prédios ou carros atacados, segundo fontes médicas.

Os militares israelenses anunciaram uma nova incursão terrestre no Líbano, na região de Aita Al Shaab. O Hizbollah disse estar resistindo bravamente ao avanço.

SEM TRÉGUA

Além do anúncio da suspensão parcial dos bombardeios durante 48 horas, Israel disse estar dando 24 horas para permitir que agentes humanitários cheguem às áreas mais atingidas e para que os moradores fujam.

Mas os jatos israelenses bombardearam alvos no sul do Líbano, e a ONU disse que o acesso não melhorou.

"Sejamos claros a respeito disso: não temos um cesse das hostilidades e não temos um cesse dos bombardeios aéreos", disse Khaled Mansour, porta-voz da ONU no país.

Jan Egeland, coordenador de emergências da ONU, disse que Israel não forneceu informações sobre a abrangência e o momento de qualquer pausa nos ataques.

A artilharia israelense atingiu mais duas aldeias. Um bombardeio aéreo contra um veículo militar libanês matou um soldado e feriu três.

No principal posto de fronteira entre Síria e Líbano, aviões teleguiados de Israel atingiram dois caminhões, segundo fontes de segurança. Um terceiro veículo teria sido destruído por um avião comum. Quatro agentes alfandegários libaneses e três motoristas ficaram feridos.

CESSAR-FOGO POLÊMICO

Rice disse que o cessar-fogo será arranjado nesta semana. Mas Israel disse que a guerra não acabou. "Se um cessar-fogo imediato for declarado, os extremistas vão levantar a cabeça de novo", disse o ministro da Defesa, Amir Peretz.

Apesar da pausa parcial em vigor desde a madrugada de segunda-feira, Israel disse que ainda pode realizar ataques aéreos contra líderes do Hizbollah e contra pontos de lançamento de foguetes do grupo, além de apoiar operações terrestres.

Olmert disse que o cessar-fogo poderia ser implementado imediatamente após a chegada de uma força internacional ao Líbano.

Mas o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, disse que tal força só poderá ser enviada depois da definição de um cessar-fogo e de um claro programa político. A França e a Alemanha elogiaram Israel por suspender a maioria dos bombardeios, mas disseram que isso não basta. A Rússia também exigiu uma trégua total imediata.

Já os Estados Unidos, que atribuem a culpa da guerra ao Hizbollah, se recusam a apoiar os apelos pelo cessar-fogo imediato. O presidente George W. Bush repetiu que espera um fim "sustentável" da violência.

Após o massacre de Qana, o Líbano cancelou as negociações que pretendia manter com Rice, pedindo a ela que antes de mais nada garanta um cessar-fogo incondicional.

"Volto a Washington levando comigo um consenso emergente sobre o que é necessário para um cessar-fogo urgente e para uma solução duradoura. Estou convencida de que podemos obter as duas coisas nesta semana", disse Rice a jornalistas em Jerusalém.

O Hizbollah disparou na segunda-feira dois mísseis contra a cidade israelense de Kiryat Shmona, na fronteira, mas não houve feridos. É o primeiro ataque do Hizbollah desde a noite de domingo.

O conflito começou em 12 de julho, quando o Hizbollah entrou em território israelense e sequestrou dois soldados. Desde então, pelo menos 598 pessoas morreram no Líbano, embora o Ministério da Saúde eleve a cifra a 750, já contabilizando os corpos soterrados. Do lado israelense, houve 51 mortes, a maioria de militares.

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