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03/08/2006 - 15h08

Comandante dos EUA alerta sobre guerra civil no Iraque

Por Michael Georgy

BAGDÁ (Reuters) - O chefe do comando central dos Estados Unidos disse nesta quinta-feira que a violência sectária no Iraque poderia levar o país à guerra civil. A declaração foi feita no momento em que uma bomba à beira da estrada matou ao menos 10 pessoas no centro de Bagdá.

Tiros, bombas e sequestros na capital iraquiana foram intensificados apesar de uma operação de segurança que acrescentou milhares de soldados às ruas. O Pentágono concordou, na semana passada, em mandar mais 3.000 soldados a Bagdá.

"A violência sectária está, provavelmente, pior do que nunca, principalmente em Bagdá", disse o general do Exército dos EUA John Abizaid ao Comitê de Serviços Militares do Senado.

"Se isso não parar, é possível que o Iraque mergulhe na guerra civil".

Uma fonte da polícia disse que a bomba de quinta-feira parecia ter sido enterrada no meio do lixo, entre vendedores ambulantes na rua Amin, no bairro de Shorja, e que a maioria das vítimas era de civis.

O plano de reconciliação nacional do primeiro-ministro Nuri al-Maliki não conseguiu diminuir a violência. Mais e mais bairros de Bagdá estão mergulhando na violência sectária. A violência na capital do Iraque e em outras áreas está provocando a morte de 100 pessoas por dia.

Um cabograma enviado de Bagdá por um diplomata britânico sobre o futuro do país árabe, que vazou para o público na quinta-feira, também era bastante pessimista.

Trechos do documento transmitido pela BBC fazem uma avaliação bem mais pessimista para as perspectivas no Iraque do que qualquer outra autoridade britânica.

"O prospecto de uma guerra civil de baixa intensidade e uma divisão de facto do Iraque é mais provável nesse estágio do que uma transição bem-sucedida e substancial de uma democracia estável", escreveu o diplomata William Patey, futuro embaixador da Grã-Bretanha em Bagdá.

"Mesmo a expectativa mais baixa do presidente (George W.) Bush para o Iraque -- a de um governo que pode se sustentar, se defender e se governar por conta própria, e que seja um aliado na guerra ao terror -- deve permanecer uma dúvida", dizia o cabograma, enviado ao premiê Tony Blair.

Patey também expressou preocupação com o poder crescente da milícia xiita liderada pelo clérigo radical Moqtada al-Sadr.

"Se quisermos evitar um mergulho na guerra civil e na anarquia, então evitar que o (Exército Mehdi) vire um Estado dentro de um Estado, como o Hizbollah fez no Líbano, é prioridade", escreveu.

Mas Patey também disse que a situação no Iraque "não é sem esperança".

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