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26/08/2006 - 17h53

Lula diz que povo não é número e que governa com o coração

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Em seu primeiro comício no interior de São Paulo, em Campinas, o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva defendeu no sábado que o governo federal do PT fez mais pelo Estado que o PSDB nos 12 anos em que esteve à frente do Palácio dos Bandeirantes.

Após citar diversos números, em especial da educação, para comprovar a presença forte do governo federal no Estado, Lula terminou seu comício afirmando que "não dá para governar apenas com os números, porque o povo não é numero". Na sequência, afirmou que governar não era questão de diploma e sim de sensibilidade.

"A gente tem que governar um pouco com a nossa inteligência, mas muito com o nosso coração, para poder sentir o que as pessoas estão falando" disse o candidato perante cerca de 5 mil pessoas no Largo do Rosário, centro de Campinas, segundo cálculos de autoridades municipais. A cidade é o segundo maior colégio eleitoral de São Paulo, atrás apenas da capital.

O discurso de meia hora de Lula tentou convencer que o Estado poderia ter mais avanços caso o governador fosse também do PT, no caso Aloizio Mercadante, a seu lado no palanque, que disputa o cargo com José Serra (PSDB).

O esforço de Lula era alavancar a campanha do petista, que aparece bem atrás do tucano nas pesquisas de intenção de voto -- 15 por cento contra 43 por cento, segundo o Ibope.

"Aqui (no Estado), só o governo federal põe por ano, de todos os meus programas sociais, 2,46 bilhões de reais para atender 5,6 milhões de famílias. Se o governo do Estado colocasse outro tanto, a gente estaria atendendo, quem sabe, 10 ou 11 milhões de pessoas", disse Lula.

Aproveitando que no domingo será o dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), para 3,7 milhões de jovens, o candidato criticou o tratamento dado à educação pelo governo anterior.

"Certamente, nos lugares que o outro governo frequentava não tinha pobre. Então, eles imaginavam: 'por que escola pública, se só tem rico no Brasil?"', ironizou.

Segundo Lula, desde a criação da primeira universidade pública em São Paulo, há mais de 70 anos, só foram criadas oportunidades para 100 mil vagas em um Estado de 40 milhões de habitantes.

"Vou colocar para vocês o que um torneiro mecânico está fazendo pela educação", disse Lula, completando com diversos números do governo, inclusive a criação pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) de 62 mil vagas em São Paulo para estudantes de baixa renda.

"Ou seja, em três anos e meio, nós criamos quase que a mesma quantidade de vagas que eles criaram em 70 e poucos anos", afirmou.

Lula também aproveitou para lembrar que o Estado mais rico da nação está em oitavo lugar no Enem e que na região sete escolas técnicas foram federalizadas, além de outras seis que estão sendo criadas. Centrando seu discurso na educação, falou da criação de quatro universidades federais, da transformação de seis faculdades em universidades, além da criação de 48 extensões universitárias.

O candidato ficou longe de assuntos polêmicos como a violência no Estado e, particularmente, em Campinas, onde o prefeito petista Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, foi assassinado há cerca de cinco anos, um crime cuja investigação ainda não foi encerrada pela Polícia Federal. Lula só citou a violência ao contar uma história, de quando ia para o aeroporto de Foz do Iguaçu (Paraná), na véspera, e a estrada estava bloqueada.

"Eu pensei, é o PCC, é um assalto, vão seqüestrar o presidente. E sabe quem era? Era uma cooperativa de catadores de papel que queria me prestar uma homenagem", disse Lula, em referência ao Primeiro Comando da Capital, facção criminosa que age nos presídios paulistas.

A cidade de Campinas tem como prefeito Hélio de Oliveira Santos, do PDT, mesmo partido de outro presidenciável, Cristovam Buarque. Mesmo assim, Oliveira Santos estava no palanque de Lula e discursou em favor dos candidatos do PT.

Também estavam presentes ao comício o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, o senador Eduardo Suplicy e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

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