UOL Notícias Notícias
 

27/08/2006 - 12h38

Reuters pede ao Pentágono investigação sobre morte de jornalista

Por Alastair Macdonald

BAGDÁ (Reuters) - A agência de notícias Reuters pediu neste domingo ao Exército dos EUA que investigue a morte de um de seus jornalistas, atingido por soldados americanos há um ano, em Bagdá.

Uma investigação independente encomendada pela Reuters concluiu que a morte a tiros do técnico de som para TV Waleed Khaled, em 28 de agosto do ano passado, teria sido "ilegal".

Mas o Pentágono não tem respondido aos pedidos para reexaminar as ordens do comandante local, que disse que os disparos contra o carro foram "apropriados".

Em abril, a Reuters entregou ao Departamento da Defesa dos Estados Unidos o relatório, que mostra que as provas apresentadas pelos próprios soldados não condizem com a conclusão do comandante.

O relatório também criticava o Exército por ter "perdido" imagens fundamentais para compreender o incidente gravadas pelo cinegrafista que viajava ao lado de Khaled no mesmo carro. Ele foi ferido no episódio e detido pelos soldados americanos.

"O Departamento da Defesa ignorou o relatório independente que concluiu que os soldados americanos violaram seu código de conduta e que a morte a tiros de Waleed era, à primeira vista, ilegal", disse Michael Lawrence, editor da Reuters para Europa, Oriente Médio e África. "A Reuters conclama o governo dos EUA a conduzir uma investigação completa e objetiva sobre a morte de Waleed Khaled."

O relatório apresentado por um ex-investigador militar britânico, que trabalha para a companhia The Risk Advisory Group (TRAG), disse que soldados dispararam de um telhado contra Khaled, 33, e o cinegrafista Haider Kadhem, 23, enquanto estavam sentados num carro estacionado.

Naquele momento, Kadhem filmava cenas ocorridas após um ataque a uma patrulha policial. Os disparos continuaram enquanto Khaled começou a andar de marcha ré para mostrar que não era uma ameaça aos militares.

Testemunhas e exames balísticos indicam que parte das 18 balas que atingiram o carro foi disparada após o veículo ter parado de se mover. Os soldados disseram ter acreditado, sem porém ter certeza disso, que a pequena câmera de Kadhem poderia ser um lança-granadas.

A TRAG afirmou que, daquela distância, os soldados não tinham como ver o que Kadhem estava segurando e que, por isso, os disparos não podem ser justificados de acordo com as regras militares do código de conduta dos EUA.

Em 11 de maio, Thomas Gimble, inspetor-geral em exercício do Departamento de Defesa dos EUA, disse que a questão havia sido passada aos comandantes no local. Desde então, a Reuters não tem conseguido identificar quem -- ou se alguém -- continua a lidar com o assunto.

Há um mês, o Comitê das Forças Armadas do Senado pediu a David Laufman, indicado pelo governo para o posto de inspetor-geral, se ele garantiria uma reavaliação do caso. Laufman não respondeu.

Khaled, ex-major do Exército iraquiano, deixou uma mulher e uma filha, além de um filho nascido dois meses após sua morte. "Tudo o que queremos é que a investigação continue e que os soldados que mataram Waleed sejam punidos", disse o pai dele, Khaled Mohammed.

O aniversário da morte de Waleed Khaled acontece num momento em que comandantes americanos no Iraque tentam diminuir casos de violação do código de conduta que, eles reconhecem, podem alimentar o ódio dos iraquianos contra os americanos. Há atualmente quatro inquéritos de homicídio em andamento envolvendo as tropas americanas no Iraque.

Mais de cem jornalistas já morreram no Iraque desde 2003.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host