UOL Notícias Notícias
 

18/09/2006 - 20h33

Bush vai à ONU cercado de ceticismo por Irã e Iraque

Por Matt Spetalnick

NOVA YORK (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chegou na segunda-feira a Nova York, onde participa da Assembléia Geral da ONU, cercado de um crescente ceticismo internacional com relação a suas políticas para o Irã e o Iraque.

Bush falará aos líderes mundiais num momento em que seu governo é confrontado por vários problemas externos e pela campanha da oposição democrata para as eleições parlamentares de novembro.

Seu discurso de terça-feira na Assembléia Geral, que reúne os 192 países da ONU, deve se debruçar sobre suas visões para a democracia no Oriente Médio, um motivo de dúvidas em várias capitais mundiais, devido à contínua violência no Iraque, mais de três anos depois da invasão norte-americana.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, crítico contumaz das políticas dos EUA no Iraque, disse que há um "grave perigo" de guerra civil e fragmentação daquele país.

Bush também usará o discurso para insistir nos ataques ao programa nuclear do Irã, que ignorou o prazo dado pela ONU para a suspensão das atividades de enriquecimento de urânio, em 31 de julho. Washington defende a imposição de sanções a Teerã por causa disso.

Rússia e China hesitam em apoiar as punições, e o presidente da França, Jacques Chirac, que se reúne com Bush na terça-feira, disse na segunda que preferia priorizar o diálogo com a República Islâmica. "Não acredito em soluções que não envolvam um diálogo levado ao limite", disse Chirac a uma rádio.

A Casa Branca descartou qualquer reunião entre Bush e o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que também fala na terça-feira à Assembléia Geral.

Mas, num sinal de que os EUA ainda buscam um consenso, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Stephan Hadley, disse que seu país aceitaria do Irã uma "suspensão verificável" do enriquecimento para que houvesse discussões. Especula-se que o Irã teria oferecido uma suspensão temporária enquanto durarem as negociações com as potências mundiais.

O discurso de Bush deve destacar a sua "agenda de liberdade" para o Oriente Médio, uma estratégia que adversários de Washington na região vêem como pretexto para intimidar países que se opõem a Washington. "Ele vai falar sobre isso na ONU como uma luta entre as forças do extremismo e as forças da moderação", disse Hadley.

Mas o pronunciamento também servirá para lembrar os muitos desafios externos que Bush enfrenta. As forças dos EUA continuam atoladas no Iraque, uma guerra cada vez mais impopular junto à opinião pública norte-americana, e o governo iraquiano tem dificuldades em conter a violência sectária, que pode descambar em guerra civil.

Além disso, o frágil governo libanês de coalizão, antes apontado por Bush como uma história de sucesso, ficou desgastado com a recente guerra entre Israel e o Hizbollah.

Críticos dizem que a campanha pró-democracia de Bush teve um efeito contrário nos territórios palestinos, onde o grupo islâmico Hamas ganhou eleições e agora, por pressão dos EUA, governa sob isolamento diplomático.

Bush se reúne na terça-feira com o presidente do Iraque, Jalal Talabani, e na quarta-feira com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, apesar de haver oposição dos EUA à formação de um governo de coalizão entre a facção Fatah, de Abbas, e o Hamas.

O presidente norte-americano passou a segunda-feira reunido com líderes da Malásia, de El Salvador, de Honduras e da Tanzânia.

(Reportagem adicional de Steve Holland em Nova York e Tabassum Zakaria em Washington)

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host