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19/09/2006 - 10h39

PSDB busca esvaziar "dossiê Serra" e foca em origem do dinheiro

Por Vladimir Goitia e Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O episódio do "dossiê Serra" deve servir de munição para a aliança PSDB-PFL atacar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tentativa de forçar um segundo turno.

Antes disso, porém, a tática é buscar esvaziar a denúncia de envolvimento dos candidatos ao governo de São Paulo, José Serra, e ao Palácio do Planalto, Geraldo Alckmin, com a máfia dos sanguessugas.

A estratégia da coordenação das campanhas dos dois tucanos é mostrar que as imagens apreendidas pela Polícia Federal com Paulo Roberto Trevisan, ligado ao escândalo de superfaturamento na venda de ambulâncias para prefeituras, seriam um "mico" --são públicas as fotos de Serra e Alckmin entregando os veículos ao lado de envolvidos no caso, argumentam políticos do PSDB ouvidos pela Reuters.

"As fotos, pelo que nos foi informado, são de um Congresso de Prefeitos em Campos do Jordão (SP), são públicas e conhecidas", disse João Carlos Meirelles, coordenador do programa de governo de Alckmin.

Para a oposição, o montante de 1,7 milhão de reais --apreendido com o empresário Valdebran Padilha e o advogado Gedimar Passos, ambos ligados ao PT, na sexta-feira em hotel em São Paulo-- seria utilizado exclusivamente para pagar a entrevista de Luiz e Darci Vedoin, donos da Planam, empresa-pivô do escândalo das ambulâncias, concedida à revista IstoÉ.

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), declarou a jornalistas, no Rio de Janeiro, na segunda-feira, o que os defensores de Serra e Alckmin falam nos bastidores.

"É evidente que o dinheiro foi para pagar o senhor Vedoin pela entrevista que deu à revista", disse Bornhausen. A revista negou compra de dossiê e de entrevista.

ORIGEM DO DINHEIRO

Esvaziada a questão do dossiê, tucanos e pefelistas vão martelar insistentemente em um ponto: de onde vem o dinheiro?

Para Serra, o processo democrático e a normalidade das eleições exigem o esclarecimento sobre a origem desses recursos e sobre quais eram os propósitos da armação toda.

José Gregori, presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos e da comissão de finanças da campanha de Serra, disse que o problema é grave por se tratar de uma soma gigantesca.

"Conseguir cifra semelhante, de uma só vez, com as atuais regras eleitorais, é praticamente impossível. Salvo alguma dessas pessoas ser milionária, esse dinheiro veio com o conhecimento de setores importantes do partido", disse Gregori à Reuters.

Apesar disso, o ex-ministro descarta um eventual envolvimento da alta cúpula do PT. "É possível que um setor (do PT) tenha sido procurado por dois larápios, pai e filho (os Vedoin), na 25a hora, detentores de elementos, que pudessem comprometer a campanha de José Serra ao governo de São Paulo", disse Gregori.

Para ele, a cúpula do PT não teria endossado uma operação desse tipo. "No Brasil, nenhum setor funciona como orquestra. Sempre tem patrulhas e bolsões que se sentem no direito de interferir."

ESTRATÉGIA

Agora, políticos do PSDB e do PFL começam a fazer contas para chegar ao segundo turno porque, na avaliação deles, a corrida eleitoral está em uma fase em que eleitores ainda precisam escolher um candidato.

Na lista de ações que podem ser usadas como munição de campanha está a exigência da foto do dinheiro apreendido pela Polícia Federal e, claro, a investigação da origem do montante, além da prisão do assessor especial da Presidência Freud Godoy, apontado como responsável pela operação de compra do "dossiê Serra".

Freud prestou depoimento à PF na segunda-feira em São Paulo e foi liberado.

"A Polícia Federal tira foto de tudo (quando faz apreensão). Na hora em que mostrar a foto do dinheiro, atinge o povo pobre. Eles vão ter que mostrar, não há como conseguir segurar", disse na segunda-feira José Jorge (PFL-PE), candidato a vice da chapa de Alckmin.

O núcleo da campanha do tucano ainda analisa como vai explorar o escândalo do dossiê no programa eleitoral gratuito.

Políticos do PSDB acreditam que o pano de fundo da conspiração seria a disputa pelo governo de São Paulo, onde Serra tem uma ampla vantagem sobre Aloizio Mercadante, candidato do PT, e Orestes Quércia, do PMDB.

"Foi montada uma conspiração para prejudicar Serra e Alckmim, já que as candidaturas dos dois em São Paulo são casadas. Uma eventual queda de votos de Serra no Estado certamente causaria queda de votos em Alckmin", declarou Meirelles, coordenador do programa de governo do presidenciável.

(Por Vladimir Goitia e Renata de Freitas; colaborou Natuza Nery, em Brasília)

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