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22/09/2006 - 16h08

Pelo 5o. dia, húngaros protestam contra o governo

BUDAPESTE (Reuters) - Os húngaros saíram novamente às ruas de Budapeste nesta sexta-feira, no quinto dia de protestos para pressionar o primeiro-ministro Ferenc Gyurcsany a deixar o cargo por causa da divulgação de uma fita na qual ele admite ter mentido para ganhar as eleições de abril.

Uma multidão crescente de milhares de pessoas se prepara para uma vigília noturna diante do Parlamento. Desde que a gravação surgiu, no domingo, houve protestos pacíficos e também distúrbios que deixaram mais de 200 feridos.

Gyurcsany se recusa a deixar o cargo e recebeu apoio do seu Partido Socialista para apresentar um pacote de cortes orçamentários destinado a conter o enorme déficit do governo, que atinge 10,1 por cento do PIB.

Houve frustração entre parte dos manifestantes diante do Parlamento quando o Fidesz, principal partido da oposição, cancelou um comício contra o governo marcado para sábado.

"É como puxar uma corda, o governo de um lado e o povo do outro, até que de repente ela se rompe", disse a funcionária pública Maria, 48.

Uma passeata do MIEP (partido de extrema-direita) atraiu milhares de pessoas na sexta-feira. Muitos deles eram idosos, cuja demora na caminhada provocou piadas e gritos de garçons e taxistas no trajeto. István Csurka, líder do MIEP, criticou o Fidesz por cancelar o protesto.

Gyurcsany, um socialista milionário, disse que os húngaros ainda apóiam seu governo. "Meu sentimento é de que a população em geral me apóia, então não vou renunciar", afirmou ao jornal francês Le Monde.

Uma pesquisa mostrou que a popularidade do governo caiu de 40 por cento nas eleições de abril para 22 por cento, resultado do pacote de aumento de impostos e redução de benefícios.

Mas o Fidesz também saiu prejudicado. Para 51 por cento dos entrevistados, seu líder, o oposicionista Viktor Orban, tem parte da responsabilidade pelos distúrbios, enquanto 57 por cento consideram que todos os políticos mentem, de modo que a declaração do primeiro-ministro não deveria ter provocado a crise.

Em maio, Gyurcsany disse durante uma conferência socialista, num discurso recheado de palavrões, que o governo havia "mentido de manhã e mentido à noite" sobre a situação econômica para obter resultados eleitorais.

Na sexta-feira, o premiê obteve um ligeiro alívio com um relatório preliminar da União Européia que avalia positivamente seu plano para reduzir o déficit a 3,2 por cento do PIB até 2009, o que deixaria a Hungria no caminho de adotar o euro como moeda.

Os distúrbios, em geral provocados por torcidas de futebol e membros da extrema direita, diminuíram desde quarta-feira, mas há risco de que voltem a ganhar força nas noites de sexta e sábado.

O Jobbik, um grupo minoritário de direita, deve realizar uma manifestação diante do Parlamento no sábado, o que pode atrair militantes do Fidesz frustrados com o cancelamento do seu próprio comício.

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