UOL Notícias Notícias
 

11/10/2006 - 10h28

Rei Abdullah alerta palestinos sobre crise interna

Por Suleiman Al Khalidi

AMÃ (Reuters) - O rei Abdullah, da Jordânia, alertou na quarta-feira os palestinos de que suas esperanças de independência podem ser irremediavelmente perdidas em alguns meses se eles não resolverem suas disputas internas.

Segundo ele, enquanto as facções palestinas brigam, a direita israelense avança, com uma mentalidade de criar um "Israel-fortaleza" ao invés de buscar a integração na região.

Uma disputa de poder entre o Hamas, do primeiro-ministro Ismail Haniyeh, e a Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, provoca a pior onda de violência interna em uma década e ameaça provocar uma guerra civil. Segundo Abdullah, essa situação pode ser explorada por Israel e agravar o drama palestino.

"Todos nós temos de trabalhar para atingir nossos irmãos palestinos, para fazê-los recuar e ver que esta não é hora de brigas internas", disse o rei à Reuters, em entrevista concedida no palácio real de Amã.

"Muita coisa está em jogo hoje, e se fracassarmos agora, vamos estar empurrando as aspirações palestinas tão lá para trás que vai demorar demais para que possamos devolvê-las para onde queremos que estejam, e nesse processo há risco para o futuro da Palestina", acrescentou.

De acordo com ele, está se esgotando o tempo para um acordo árabe-israelense que leve à coexistência de dois Estados na região. "Realmente acho que no primeiro semestre de 2007 podemos acordar para a realidade e perceber que a solução com dois Estados não é mais viável, e aí o quê?"

A Jordânia, que tem a maior população palestina fora da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, teme que os assentamentos judaicos e as expropriações de terra deixem Israel com partes substanciais do território que capturou na Guerra dos Seis Dias, de 1967.

"Acho que realmente estamos ficando sem tempo. Fisicamente e geograficamente, acho que há cada vez menos da Cisjordânia e de Jerusalém para conversar a respeito", afirmou Abdullah.

Na opinião dele, o avanço da influência iraniana e a difusão do fundamentalismo islâmico provocaram mais instabilidades regionais, que reduzem ainda mais as perspectivas de paz.

"Alguns anos atrás, podíamos prever razoavelmente o que iria acontecer. Agora é muito mais difícil ler o mapa. Há muitíssimos mais jogadores."

Ele defendeu um processo de paz que inclua moderados árabes, como a si próprio e os governos de Egito e Arábia Saudita. "Os árabes têm de intervir. Eles precisam estar perto da mesa de negociações quando os israelenses e palestinos se sentarem. Há uma ótima oportunidade (no plano de paz), mas há um grande perigo de perdê-la, especialmente se acontecer uma guerra civil (entre os palestinos)."

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    13h39

    -0,85
    3,151
    Outras moedas
  • Bovespa

    13h40

    1,05
    68.690,16
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host