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29/10/2006 - 21h32

PERFIL-Campeã de votos, Ana Júlia chega ao governo paraense

Por Márcia Detoni

SÃO PAULO (Reuters) - Ana Júlia de Vasconcelos Carepa (PT), 49 anos, chega ao governo do Pará depois de disputar todas as eleições municipais e estaduais desde 1992 e de ter exercido vários cargos de destaque no Executivo e no Legislativo. Foi vereadora de Belém em dois mandatos, vice-prefeita, secretária de Urbanismo, deputada federal e senadora.

Arquiteta formada pela Universidade Federal do Pará, funcionária concursada do Banco do Brasil desde 1983 e ex-atleta de natação do Clube Remo, de Belém, Ana Júlia sempre ocupou posições de liderança e nunca temeu disputas.

"Ana Júlia é uma guerreira", disse à Reuters a psicoterapeuta Zildinha Sequeira, amiga da governadora eleita desde a adolescência. "Ela é uma pessoa que sabe correr riscos, tendo a dimensão do que pode e do que não pode alcançar", comentou.

Os amigos definem Ana Júlia como uma pessoa carinhosa, solidária, leal, teimosa e, sobretudo, determinada.

Durante a campanha, a petista quebrou a perna ao cair de um palanque improvisado na carroceria de uma caminhão. "Ela passou 17 dias de cama e fez campanha em uma cadeira de rodas. Quer maior exemplo de determinação que isso", salientou a amiga e fã Zildinha.

BOA DE VOTO

Filha de um engenheiro civil e de uma dona-de-casa, Ana Júlia nasceu em Belém e é a única mulher entre os sete filhos do casal. O interesse pela política começou na Universidade, no final dos anos 1970, quando ingressou no movimento estudantil e no clandestino Partido Revolucionário Comunista (PRC), liderado, na época, por José Genoino e Tarso Genro.

Ana Júlia foi presidente do Centro Acadêmico Livre de Arquitetura da UFPA e, depois de formada, passou a atuar nos movimentos sociais, ajudando a fundar o Movimento das Mulheres do Campo e da Cidade. Aprovada no Concurso do Banco do Brasil em 1983, também militou no Movimento de Oposição Bancária (MOP) que fortaleceu a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Pará.

Em 1992, Ana Júlia elegeu-se vereadora com a maior votação entre os candidatos do PT e, em 1994, chegou à Câmara Federal. Dois anos depois, em 1996, Ana Júlia já estava novamente em campanha, integrando a chapa vitoriosa do PT à Prefeitura de Belém. A petista renunciou ao mandato de deputada federal para assumir a vice-Prefeitura e a Secretaria Municipal de Urbanismo.

Em 1998, Ana Júlia concorreu a uma vaga no Senado, mas a vitória só viria nas eleições de 2002. Antes disso, em 2000, ela elegeria-se novamente à vereança de Belém, com a maior votação já registrada por um vereador no Estado.

Em 2002, outro recorde eleitoral: Ana Júlia obtém a maior votação da história do Pará para o Senado.

"Ela é boa de palanque, de discurso e de intervenção", disse à Reuters o cientista político Edir Veiga, da Universidade Federal do Pará.

Veiga, que, nos anos 70, foi colega de Ana Júlia no clandestino Partido Comunista Revolucionário, conta que, inicialmente, a petista não queria se candidatar ao governo estadual este ano, mas foi convencida pelo partido a concorrer por ser o único nome com força eleitoral para enfrentar a hegemonia do PSDB no Estado.

Ana Júlia entrou na disputa em baixa nas pesquisas e inverteu o jogo no segundo turno com o apoio do PMDB do ex-governador e senador Jader Barbalho.

Há dúvidas, no entanto, quanto à capacidade da petista de administrar a coalizão eleitoral com o PMDB.

"A orientação dela é muito na consciência de classe. Ela tem formação marxista ortodoxa. Esse movimento mais à esquerda do PT tem dificuldade de trabalhar com o centro", afirmou Veiga.

A governadora eleita é divorciada e mãe de um casal de filhos.

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