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06/11/2006 - 11h40

Hispânicos podem ter papel decisivo em eleição dos EUA

Por Adriana Garcia

WASHINGTON (Reuters) - Os eleitores de origem hispânica podem ter um papel decisivo em pelo menos quatro Estados norte-americanos nas eleições parlamentares de terça-feira nos Estados Unidos, afirmaram especialistas.

Nos Estados com comunidades hispânicas menores, a influência não será tão importante, mas esse bloco cada vez maior de eleitores pode definir o resultado da corrida pelo Senado em Nova Jersey, da disputa por cadeiras na Câmara no Arizona e no Novo México e da eleição para governador da Flórida, disse o especialista em pesquisas Sergio Bendixen, da Bendixen and Associates.

As questões regionais são importantes em várias disputas locais, e não está claro qual partido vai se beneficiar dos votos hispânicos, disseram analistas políticos. Mas alguns acreditam que a posição republicana sobre a imigração deve prejudicar o partido.

A batalha pela cadeira do senador democrata por Nova Jersey Robert Menendez, que tem a concorrência do republicano Thomas Kean Jr., filho de um ex-governador, é crucial na disputa pelo controle do Senado. Menendez é um dos senadores democratas mais vulneráveis.

"A expectativa é que a maioria dos hispânicos compareça às urnas em Nova Jersey, onde compõem mais de 10 por cento do eleitorado", disse Bendixen, que trabalha em Miami. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório.

Os Estados fronteiriços de Arizona e Novo México também devem presenciar a influência dos hispânicos, num ano em que a imigração se transformou numa questão política polêmica.

O Arizona esteve no centro do debate sobre a imigração, e o candidato republicano à Câmara Randy Graf adotou uma posição linha dura a respeito dos cruzamentos ilegais de fronteira, na disputa contra a democrata Gabrielle Giffords.

No vizinho Novo México, a comunidade hispânica pode ser decisiva para definir se a deputada republicana Heather Wilson será reeleita ou perderá a cadeira para a democrata Patricia Madrid, procuradora-geral do Estado, de origem hispânica.

"Graf pode perder para um democrata com seu discurso antiimigração, e no Novo México é bem capaz que Patricia Madrid tire a cadeira de Wilson", disse o analista político Larry Sabato, da Universidade da Virginia.

Para Bendixen, o voto hispânico pode pesar na disputa para substituir o governador da Flórida, Jeb Bush, irmão do presidente George W. Bush. "Com base em pesquisas recentes, será uma disputa muito apertada, portanto os hispânicos podem ser o voto decisivo", disse ele.

Pesquisas nacionais mostram que os democratas devem conquistar o controle da Câmara. Eles precisam de 15 cadeiras para tomar a Câmara e de seis para controlar o Senado.

Mas estrategistas ressaltam que os eleitores hispânicos, sendo que mais de 40 por cento deles apoiaram Bush em 2004, não devem ter tanta influência assim, já que muitas das disputas cruciais estão ocorrendo em Estados onde a predominância deles é menor.

Embora os hispânicos representem 14 por cento da população norte-americana, segundo estimativas, eles são apenas 8,6 por cento dos eleitores registrados para o pleito, segundo o Centro Hispânico Pew.

Muitos hispânicos são imigrantes ilegais que ainda não têm a cidadania, ou então são cidadãos norte-americanos que ainda não têm 18 anos, disse o demógrafo Jeffrey Passel, do Pew. "É uma população que vai se tornar uma fatia maior do eleitorado."

Para o especialista John Zogby, os hispânicos vão votar contra os republicanos.

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