UOL Notícias Notícias
 

14/11/2006 - 12h42

Secretário de Comércio dos EUA adverte China sobre pirataria

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - O aumento no número de casos de pirataria na China está corroendo o apoio à expansão do comércio bilateral, afirmou o secretário de Comércio dos EUA, Carlos Gutierrez, na terça-feira, aventando a hipótese de o problema ser levado à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Gutierrez afirmou a empresários reunidos em Pequim que a produção ilegal de medicamentos e outros tipos de violação da propriedade intelectual ameaçavam o bem-estar do consumidor.

"Outra vítima do roubo disseminado de propriedade intelectual na China é o apoio norte-americano à expansão de nossas relações bilaterais de comércio", afirmou, acrescentando que a questão fortalecia os partidários do protecionismo nos EUA.

"Esse fator revela a falta de uma proteção eficiente, na China, à propriedade intelectual, um motivo que justificaria a adoção de políticas protecionistas da nossa parte."

O alerta feito pela maior autoridade norte-americana da área comercial aparece no momento em que os EUA avaliam a possibilidade de fazer uma queixa sobre a China diante da OMC devido à violação da propriedade intelectual.

O país asiático, segundo os norte-americanos, não conta com limites claros cuja ultrapassagem implicaria punições.

Gutierrez afirmou em uma entrevista coletiva que preferia dialogar a fazer a queixa, mas deixou claro que a mobilização da OMC seria uma das opções a serem adotadas no caso de fracassarem as negociações.

"Temos essas ferramentas a nossa disposição e não vamos descartá-las", afirmou.

Em um encontro com Gutierrez, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, pediu que os EUA não iniciassem um confronto.

"As consultas e os diálogos são o caminho correto para resolver atritos bilaterais nas áreas da economia e do comércio", disse Wen ao secretário dos EUA, segundo a agência de notícias Xinhua.

Gutierrez afirmou que a pirataria comercial era uma das causas do crescente déficit comercial dos EUA com a China, que deve superar, neste ano, a marca de 202 bilhões de dólares registrada em 2005.

A pirataria significava um prejuízo de cerca de 2,3 bilhões de dólares por ano para as empresas norte-americanas das áreas de filme, música e aparelhos eletrônicos, afirmou Gutierrez aos executivos.

Nas ruas de Pequim, DVDs piratas podem ser comprados por cerca de 1 dólar, um preço bastante inferior ao cobrado pelas cópias legais vendidas nos países ricos.

A alfândega dos EUA costuma apreender várias cargas de material falsificado, incluindo DVDs, tacos de golfe e bolsas de grife.

Em 2005, foram realizadas cerca de 8.000 apreensões, totalizando um valor de 93 milhões de dólares. Neste ano, os funcionários da alfândega já confiscaram 14 mil cargas em um valor total de 156 milhões de dólares, disse Gutierrez.

CRIMINOSOS À FRENTE

"Há mais produtos ilegais vindos da China do que de todos os outros países juntos", afirmou.

O secretário norte-americano elogiou os líderes chineses por tornarem mais rígidas as punições aos infratores, mas disse que "a realidade, claro, está muito longe dos criminosos e dos piratas".

As autoridades da China dizem que o país realizou grandes progressos no combate à pirataria, mas que seria ilusório acreditar que o problema desapareceria de uma hora para outra.

O ministro chinês do Comércio, Bo Xilai, afirmou na semana passada que denunciar o país dele à OMC devido à pirataria comercial seria algo insensato e geraria um "impacto extremamente negativo".

Conter o apetite da China por produtos pirateados dependeria, ao final das contas, de abrir o mercado do país para mais produtos legítimos, disse Gutierrez.

O país asiático limita, por exemplo, o número de filmes estrangeiros que podem ser exibidos nos cinemas chineses a cerca de 20 por ano. E o lançamento desses filmes costuma demorar, o que permite aos DVDs piratas inundarem o mercado.

"O acesso ao mercado é um fator fundamental", disse Gutierrez.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    10h19

    0,27
    3,274
    Outras moedas
  • Bovespa

    10h27

    -0,63
    63.683,77
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host