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10/12/2006 - 19h24

"Que apodreça no inferno", afirmam opositores de Pinochet

SANTIAGO (Reuters) - Milhares de opositores de Augusto Pinochet festejavam neste domingo a morte do ex-ditador chileno com cantos e danças em Santiago, ainda que lamentem que a Justiça não o tenha condenado pelos crimes cometidos durante seu mandato.

Apesar do intenso calor, milhares de opositores da ditadura de Pinochet, entre 1973 e 1990, festejavam na praça Itália com aplausos, entre bandeiras chilenas e do Partido Socialista, fotos de detidos e desaparecidos e imagens do ex-presidente Salvador Allende, que foi derrubado pelo militar. Muitos motoristas também faziam soar as buzinas dos seus veículos pelas ruas de Santiago.

"Vim para celebrar a morte do ditador, que espero esteja no inferno, mas é lamentável que não pudemos julgá-lo em vida", disse Javiera Sánchez, uma estudante de jornalismo de 18 anos.

Pinochet morreu no domingo às 14h15 (15h15 no horário de Brasília) devido a uma falha cardíaca seguida de uma "descompensação aguda" segundo os médicos que o atenderam no Hospital Militar de Santiago, onde foi internado há uma semana por um infarto no miocárdio.

Cerca de 3 mil pessoas morreram ou desapareceram durante o período de ditadura militar e outras 28 mil foram torturadas, incluindo a atual presidente, Michelle Bachelet.

"Vou comemorar com minha família a morte do tirano. Aliás, tenho uma garrafa de cachaça brasileira guardada há 25 anos para comemorar esta data", disse Santiago Cavieres, um advogado de 75 anos.

"Eu estive no Estádio Nacional (que foi o centro das detenções depois do golpe de 1973), de lá me mandaram ao campo de concentração de Chacabuco, onde estive por oito meses (...) Todos que estivemos presos fomos torturados", acrescentou Cavieres.

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