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15/12/2006 - 11h39

Cientistas realizam perfurações na Antártica em busca do passado

Por Deborah Zabarenko

BLOCO DE GELO ROSS, Antártica (Reuters) - De longe, a operação Andrill surge do nada como se fosse uma miragem: uma torre branca erguida em meio a contêineres azuis, no meio do mar congelado.

Mas essa gigantesca operação de perfuração através do gelo, do oceano e do passado é tão real quanto um laboratório de ciências e tão eficiente quanto uma plataforma de petróleo: perfuradoras e cientistas trabalham de forma coordenada para encontrar pistas sobre uma época em que a Antártica era quente e úmida.

Como estão convencidos de que o mundo, devido às mudanças atmosféricas provocadas pelo homem, caminha para ter um clima mais quente, os pesquisadores desejam saber como eram as coisas 10 milhões de anos atrás, quando períodos de temperaturas mais altas tendiam a ganhar e perder força no continente do sul.

A fim de fazer isso, eles examinam amostras de um material cinza-verde que se parece com excremento solidificado e que é tirado do leito do mar, camada após camada. As amostras do sedimento aparecem na plataforma em cilindros de cerca de 9 metros de comprimento, dentro de canos de aço.

A grande perfuradora, que sobe 20 metros acima da superfície de gelo, fica envolvida por uma tenda a fim ser mantida a uma temperatura de cerca de 10 graus Celsius ou superior, o que permite o funcionamento de seus sistemas hidráulicos.

Os cientistas começam analisando as amostras logo que elas saem do subterrâneo, trabalhando em laboratórios montados dentro de contêineres do tamanho de caminhões.

Frank Niessen, um geólogo do Instituto Alfred Wegener para Pesquisa Polar e Marinha, com sede em Bremerhaven, Alemanha, estuda o material em busca de sinais de vida marinha indicando a presença de mar aberto onde hoje existe uma camada de gelo com 85 metros de espessura.

Por volta de 4 milhões de anos atrás, segundo Niessen, há indícios de que a Antártica foi palco de cinco períodos de aquecimento.

Recentemente, os cientistas encontraram um material cheio de algas microscópicas chamadas diatoms. O sedimento era tão rico em esqueletos dessas pequenas algas que eles o batizaram de diatomita.

Em outros locais, o material apresentou pedras que devem ter sido levadas para o mar por geleiras, o que indicaria a ocorrência de períodos com temperaturas mais baixas, afirmou Niessen.

"UMA CHUVA DE PEDRAS"

Os períodos de transição entre as épocas quente e fria são os mais interessantes, disse.

Apontando para um gráfico pendurado na parede de seu escritório, o cientista mostrou quatro picos indicando um aumento na densidade do material, o que significaria a presença de uma grande quantidade de pedras no sedimento.

"Para mim, isso se parece com uma chuva de pedras vinda de um sedimento de gelo que se derrete", afirmou, observando ser esse o primeiro sinal de que as temperaturas vão subir e de que as diatoms estão prestes a ressurgir.

"Acho que isso aconteceu algumas vezes no passado" e isso sugere que, em algum momento, a plataforma de gelo fará isso novamente, disse o cientista.

"Com o aquecimento global, devemos regressar a esse tipo de cenário, que é totalmente diferente do que temos hoje."

Andrill é a sigla, em inglês, para perfuração geológica na Antártica. Participam da operação quatro países: Alemanha, Itália, Nova Zelândia e EUA.

Mais informações podem ser obtidas no site http://www.andrill.org.

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