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01/01/2007 - 12h51

Islâmicos fogem de base na Somália e dirigem-se para o Quênia

Por Sahra Abdi

KISMAYU (Reuters) - Combatentes islâmicos derrotados na Somália fugiram nesta segunda-feira de sua última base e dirigiram-se para a fronteira do Quênia, no que parece ser o fim de quase duas semanas de guerra com o governo apoiado pela Etiópia.

Milhares de tropas muçulmanas, que abandonaram a capital e concentraram-se a 300 quilômetros ao sul, perto da cidade portuária de Kismayu, dispersaram-se novamente depois de trocar fogo de artilharia durante a noite com as tropas da Etiópia e do governo, que vinham avançando.

Líderes e combatentes do Conselho de Cortes Islâmicas da Somália (SICC), afastados de Mogadíscio na quinta-feira, depois de seis meses de ocupação, foram para o sul, na costa do Oceano Índico, na direção do Quênia, disseram moradores.

Eles prometeram voltar usando táticas de guerrilha.

Alguns moradores de Kismayu disseram que os muçulmanos estavam indo para a região montanhosa remota de Buur Gaabo, no lado somali da fronteira. "Se forem para lá, será muito difícil para os etíopes pegá-los", disse um morador.

Em Mogadíscio, recém-capturada, o governo da Somália voltou a apelar pelo envio de uma força de manutenção da paz africana "o mais breve possível" para ajudar a estabilizar o país da região conhecida como Chifre da África, que vive no caos e sem um governo central desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991.

O governo também exortou o Quênia a fechar suas fronteiras e prender combatentes islâmicos que cruzarem. Mas a fronteira é longa e porosa e difícil de ser patrulhada. No lado queniano há população de etnia somali e muitos nômades cruzam entre os países. Diplomatas disseram que navios de guerra norte-americanos, da Força Tarefa Conjunta com base no Djibuti, responsável por operações contraterroristas na região, deve estar patrulhando o mar na costa da Somália para evitar a fuga de líderes do SICC e de militantes estrangeiros.

ANISTIA

O governo da Somália ofereceu anistia aos muçulmanos que entregarem as armas. Mas alguns apenas tiraram os uniformes e continuam no país.

Os muçulmanos pareciam estar próximos de derrotar o governo interino da Somália há duas semanas, mas a intervenção da Etiópia, principal força militar da região e que, segundo diplomatas, teve apoio tácito dos EUA na ação, reverteu o quadro.

No início desta segunda-feira, forças do governo e da Etiópia entraram em Kismayu depois que tiraram minas terrestres instaladas no caminho.

"Kismayu está ocupada. Os terroristas estão fugindo, mas estão sendo perseguidos", disse o enviado da Somália na Etiópia, Abdikarin Farah.

Ele disse que as forças etíopes vão permanecer na Somália pelo tempo que for necessário, e também pediu o envio de tropas de manutenção da paz.

Alguns moradores de Kismayu saquearam os arsenais dos muçulmanos que fugiram.

O ministro da Defesa da Somália, Abdikadir Adan Shire, conhecido como Barre Hiraale, disse à Reuters por telefone que estava feliz.

"Estou feliz por voltar depois de uma curta ausência", disse.

Apesar da fuga dos muçulmanos, analistas políticos dizem que o conflito pode estar longe do fim.

Os combatentes islâmicos, unidos a muçulmanos estrangeiros, podem agora realizar uma insurgência no estilo iraquiano contra um governo que consideram ilegítimo e apoiado por uma potência estrangeira cristã e que odeiam, a Etiópia.

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